Boa tarde amigos...
Estou muito emocionada hoje devido a um e-mail que recebi de uma amiga da internet. Nos denominamos carinhosamente de Sobrinha e Tia. Ela escreveu o texto na época da minha formatura, mas só agora teve coragem para me mandar.
Vou compartilhar com vcs, pois não deixa de ser um grande resumo da minha história até aqui.
Grande abraço!
"Hoje é O DIA, o dia que me sinto livre pra desabafar, pra soltar meu grito, um grito preso a anos, não de um ou dois anos, mais pra mim é o dia que tenho vontade de gritar VENCEDORA, como de um esportista q luta muito e consegue uma medalha olimpica sem ter a mínima condição humana para tal(condição q imaginamos q a pessoa n tenha). Muitos que vão ler isso dirão., Nossa, se formam médicos todos os anos, q mico essa tia coruja ta pagando, tem mais um tantão de pessoas q sofreram bastante pra conseguir se formar em medicina, n é fácil pra ninguém e acredito q n seja mesmo, mas a da minha menina é uma história e tanto, história dura. Não foi falta de dinheiro, n passou fome, n teve q trabalhar nos horários que queria dormir e depois ainda ir pra facul, mas foi UMA LUTA. Querem saber como eu conheci essa história e entrei nela? Foi no dia q minha menina nasceu pra mim. Ela
nasceu pra mim numa comunidade do orkut, conheci uma garota inteligente, estudante de arquitetura linda, meiga, com medo, com dores que eu n saberia descrever a n ser pelos meus próprios conhecimentos de uma doença chamada depressão. Mas o caso dela n era só de depressão. A princípio era uma garota q como tantas outras havia desistido da vida por dores da alma q poucos entendem, eu entendia. mas fui conhecendo aquela menina meiga e descobrindo suas dores, seus traumas, seus demônios...era tudo muito maior do que eu conhecia como depressão, eu n entendia bem, mas já a amava o suficiente pra querer conhecer, saber e tentar ajudar.
Sou péssiam em datas, ela pode dizer pra vcs com clareza em q ano foi, mas ela estava no primeiro ano de arquitetura e era muito fechada, n se abria, me add no msn depois de uma insistencia minha num post da comunidade. Na nossa primeira conversa no msn ela Foi seca, dura e deixou claro q eu n conseguiria ajuda-la. A vida n fazia sentido, ela estava cansada e havia acabado de sentar na janela do quarto olhado pra baixo e cogitado se jogar ( poucos dias antes ela já havia tomado alguns comprimidos de rivotril e tentado o sucidio, graças a um psiquiatra bão pacas q ela tinha sim a culpa foi dele)e n tinha dado certo. Fiquei apavorada, tentei conversar, falar de Deus e se ela estivesse perto de mim eu apanharia, Deus era palavra proibida.
graças a DEUS consegui ir conversando e ganhando a confiança dela. Ela ligou para um amigo, suposto futuro namorado q foi até a casa dela e ficou com ela..n me lembro bem da ordem dos fatos.
Mas vcs devem achar muito bla bla bla....e tá mesmo.... Continuamos nos falando e a cada dia descobria novas coisas dessa menina q eu amava. Ela odiava a facul, ía por obrigação, odiava todos q estavam lá? não, ela odiava estar lá.
Os pais n aceitavam ela sair da facul, mas ela odiava tanto aquilo, q se machucava, sim...se machucava de verdade, fisicamente. Com estilete, agulha, vidro, o q tivesse ela se cortava. Pulso, perna, braço...sangue era o q ela queria ver. Vcs devem pensar...INTERNEM... É LOUCA não, isso se chama cutting, ou automutilação um transtorno mental ou se alguns preferem de personalidade q faz com q as pessoas muito angustiadas se sintam aliviadas depois de verem o próprio sangue escorrendo, só q essa doença é perigosa, mal compreendida e causa vício,pelo bem estar q proporciona e leva a morte caso pegue uma veia.
Insisti muito pra ela procurar outro psiquiatra, se tratar, ter um diagnóstico lógico e fazer um tratamento. Ela n queria mas sou teimosa, n desisto fácil.... ou ela procuraria um tratamento ou me bloquearia e n falaria mais comigo, q era o mais provável...ela resolveu se tratar...
Começou uma nova luta, muito mais dela do q minha, medicamentos, terapia, efeitos colaterais, vontade de desistir, choro, choro, cortes, e um sentimento enorme da minha parte de impotencia..ela a muitos quilometros de distancia. Eu no interior de sampa e ela no interior de minas. Como pegar ela no colo? como abraçar, salvar, queria toca-la, colocar no colo, proteger minha sobrinha.
Me dói muito falar disso tudo, das dores dela, da luta dela... Em meio de tantas conversas nossas ela me disse q gostaria de trancar arquitetura e tantar PSICOLOGIA(foi o q ela me disse)mas q os pais n apoiariam, ela já estava no final do segundo semestre do primeiro ano de arquitetura, e eles n apostavam muito nela, achavam q ela desistiria de tudo.
Eu enfiei a cara, disse o q achava, insisti para q ela parasse o curso e fizesse um cursinho, fizesse vestibular no fim de ano pra PSICOLOGIA como ela me falava e se n passasse ela destrancaria arquitetura e continuava o curso, seria seis meses de perda, ou um ano no máximo.
N sei como ela convenceu os pais e por seis meses falei pouco com ela, sabia q ela tava estudando pro vestiba e n tinha tempo. nesse tempo ela teve foco, e eu n importunei,fiquei a disposição, mas esperei o final do ano.
SURPRESA...ela chega e diz, tia acabei de fazer matricula pro vestibular em MEDICINA...quase enfarteiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Do outro lado da telinha eu tava em choque...pensei...danou-se, seis meses de estudo passar em medicina? ela n consegue, n vai passar e vai pirar. Psicologia eu sabia q ela passava, mas medicina? pensei, ela n passa, se frustra e acaba com a vida literalmnente e eu vou ter q conviver com essa culpa.Eu tinha depressão e tomava medicamento também. Fiquie mal....e n falava no assunto. Quando saiu o resultado do vestiba e ela passou...Jesus....n acreditei e descobri ali uma ferinha, menina porreta como dizem os baianos, trem bão pros mineiros e pra tia coruja ela era a minha sobrinha de coração, q eu amava tanto.
E assim termina tudo.... ah tá bom...aí começa outra luta.
Ela hoje é formada em medicina, mas durante os seis anos continuou convivendo com seus demonios internos e externos, professores e amigos de turma intolerantes, arrogantes e q gostavam de humilhar. ela aprendeu a se defender, também dava os pitis dela, DEFESA e muitas vezes AGRESSIVIDADE incontrolável.
Os cortes n existiam mais, só a vontade, ela ainda tinha vontade de se cortar. Veio o conhecimento espírita pra ela e a oportunidade de conversarmos sobre Deus.
O espiritismo, a descoberta da mediunidade (ainda está mal resolvido pra ela isso) também foi problema. A descoberta íntima , aceitação, medo da felicidade, tudo mexia com ela.
Ela já n era mais a menina assustada, mas ela assustava as vezes os outros, n a mim, eu a conhecia até quando ela me contava o q ela achava de pior nela, eu já havia detectado e sabia q n era o pior dela, e ela se cobrava muito, cobrava dos outros, chorava em casa quando a agressividade aparecia.Eu fiz muitas preces, cresci também esse tempo todo.
Ela era minha sobrinha adotiva q puxava a orelha da tia, q ouviu o choro da tia no telefone, em crise depressiva, me acolheu, cuidou de mim...tudo muda, amadurece, cresce e minha tuti cuidava de mim agora.
Ela lutou muito contra si mesmo, nunca acreditava nela, e eu sempre acreditei, sempre soube q ela podia tudo o q queria, sabia mais q ela...porque sou tia, e o sangue grita. Aí vcs dizem, mas ela n é sua sobrinha de sangue... É SIM, o sangue q corre nas minhas veias é o mesmo q corre no dela, porque eu acredito que somos do memso grupo familiar de outras vidas, a genética um dia vai provar q existe vida após a morte, q a morte n existe e q nosso grupo familiar de outras vidas serão comprovadas biologicamente
.Ela é minha sobrinha nessa vida, pode ter sido minha filha, irmã, marido, esposa , em outra, mas somos co-sangíneas nessa de coração, de alma de vida e hoje meu grito, o q está preso na minha garganta ha anos é: FILHA..VC VENCEU MAIS UMA ETAPA E ESTOU COM VC EM TODAS AS OUTRAS Q VIEREM, MESMO Q EU NUNCA SINTA SEU ABRAÇO DE VERDADE, ESSE SENTIMENTO NINGUÉM ME TIRA.
Tenho orgulho de vc Dra, formanda em medicina com sangue, suor e lágrimas e vcs ouvirão muito o nome dela ainda. Um dia todo médico saberá quem é ela, ela será uma referencia, acreditem.
Seu convite de formatura nas minhas mãos agora me fez recordar tudo isso e escrever sem pensar, sem lógica, são flashs de memória, de vida, de anos de cumplicidade...Te amo pra sempre."