Boa tarde queridos...
Retornando então a cronologia dos fatos:
Há mais ou menos dois meses iniciei um período muito bom, até bom demais pra ser verdade. Rs
Comecei com insônia, mas meu corpo não sentia falta do sono, acordava cedo, ia trabalhar super cedo, muito comunicativa, social e eficiente no hospital.. Estava gastando cerca de 3h pra fazer um serviço que geralmente levo 7h para fazer.
Opa... Não demorou pra eu perceber que não estava normal, já conheço tudo isso e logo identifiquei que era uma fase de hipo-mania / euforia iniciando.
Fiquei um pouco receiosa pq sei muito bem o abismo que se abre quando toda essa animação passa. Mas me sentia tão bem que nem pensava mais nisso.
Comprei uma impressora, comprei um violão, cozinhava todos os dias coisas diferentes, pesquisando mil receitas, muitas vezes cozinhando com tanta vontade que nem dava conta de comer muito. Arrumei um professor de violão particular, voltei a desenhar, pintar, e quando percebia estava fazendo mil coisas ao mesmo tempo! Me sentindo maravilhosamente bem como há tempos não sentia!!
Mas o ciclo é cruel, e o preço é alto. Essa tal euforia nos custa muito caro, e em poucas semanas começei a pagar com as lágrimas, as angústias, os pensamentos ruins!
Odeio essa sensação de perda de controle, a "queda" é muito forte, há alguns dias eu me sentia ótima, uma médica competente, uma pessoa agradável e querida e agora havia levado um tapa na cara da realidade: comecei a ficar sem energia, sem vontade, fraca, uma péssima profissional, um peixe fora d'agua, um alien.
Levantar da cama passou a ser um tormento, não por dificuldade de acordar cedo (nunca tive problema com isso) mas por falta de energia mesmo, sensação de estar pesando uns 200kg (e não deve ta tão longe disso), desânimo, falta de vontade para trocar de roupa, pra tomar banho, pra comer... E passei a me alimentar apenas de iogurte e sucrilhos, com longos períodos de jejum e é óbvio que isso tambem contribuia para eu estar cada dia mais fraca e com mal estar. Mas eu não conseguia preparar nenhum alimento, nem ir ao supermercado, já não conseguia mais arrumar a casa, que ficou caótica mesmo tendo uma faxineira uma vez na semana. Era difícil até voltar com a toalha pro banheiro.
Crises de choro sem fim. Uma angústia devastadora, uma dor na alma indescritível!!! Pq eu estava assim? Não tinha acontecido nada demais para desencadear tanta tristeza, mas as frustrações do dia-a-dia normais me afetavam muito. Coisas pequenas se tornavam gigantes. Até um bom dia não respondido era motivo pras lagrimas escorrerem.
A vontade de morrer voltou, voltou forte, tentava tirar isso da cabeça de todas as maneiras possíveis, tentava pensar nos pontos positivos da vida, minha família, meu namoro, minha carreira.. Mas isso não estava sendo suficiente pra afastar esses pensamentos. A coisa foi evoluindo, me dominando, me peguei planejando várias oportunidades pra me matar, mas caía no choro. Não queria pensar nisso. Nao queria estar assim. Mas nada que eu tentava aliviava. Pedi socorro a Deus, Ele parecia nao ouvir. Resolvi passar o fim de semana na minha cidade, talvez fosse uma boa maneira de aliviar tudo isso...
Minto quando disse que Deus não me ouviu... naquele dia Ele colocou uma pessoa que me pediu carona até a minha cidade. Agora eu tinha uma pessoa comigo no carro, teria que dirigir com cuidado, jamais colocaria a vida de outra pessoa em risco. E dirigi calmamente, chegando sem intercorrências.
O fim de semana prometia ser bacana, todo mundo feliz com minha chegada, com mil planos e eu mais uma vez chorava por dentro. Meus irmãos fizeram um churrasco, convidaram amigos, compraram bebidas, desci pra 'marcar presença' e não ficar de chata, fiquei cerca de 30min e subi para o quarto alegando dor de cabeça e sono. Do quarto ouvia as risadas, as conversas animadas, sempre gostei tanto de participar de tudo isso. E começei a pensar em tanta coisa que eu não estava dando conta de fazer. E mais crises de choro, até soluçar e dormir.
No outro dia acordei, arrumei minhas coisas, queria viajar mais cedo.. Pra ficar um pouco sozinha, além de eu estar sendo uma péssima companhia, sentia que estava deixando as pessoas preocupadas por mais eu tentasse não transparecer nada. Não funcionou. Meu irmão mais velho me chamou no quarto, perguntou o que estava acontecendo, disse que me conhecia e tava percebendo que eu nao estava bem, eu disse que estava tudo bem. Ele perguntou se eu estava bem para dirigir, eu disse que sim. Ele insistiu que eu não estava bem, que não iria me deixar dirigir e o abracei forte em crise de choro novamente. Ele colocou minhas coisas no carro e viajou comigo dirigindo o meu carro. Ficou comigo uns dois dias, eu ja estava mais tranquila, tinha acrescentado mais um antidepressivo recomendado por aquele meu amigo psiquiatra. E ai meu irmão pegou o onibus de volta........