terça-feira, 28 de agosto de 2012

Sentimentos Bipolar

Não quero ser aquele que ama, mas machuca,
Que sente falta e maltrata,
Que tem desejos e se arrepende,
Que ama, mas impulsivamente trai,
Que desconfia loucamente,
Que não dorme por inseguranças irreais,
Que grita de desespero;

Não quero ser aquele... O louco,
Que beija e depois escarra,
Que afaga e depois bate,
Que ri, mas depois chora,
Que perde noites de sono mesmo com tudo absolutamente bem e resolvido.

Não quero ser aquele que procura perigo, que procura problemas, confusão,
Não quero estar junto e ao mesmo me sentir sozinho, estar longe e sentir o vazio;
Não quero ser aquele que julga, que perde a cabeça, que exagera, grita, machuca, ofende, abraça, beija, sorri e ainda deseja um bom dia;

Não quero ser aquele odiado por tentar amar,
Recriminado por tentar mostrar,
Após discussões e brigas tentar convencer,
O quão difícil é ser um bipolar.

O que quero ser é aquele que ama e consegue mostrar,
Que preocupa, mas não exagera,
Que sente saudade e não se desespera,
Que é inseguro, mas supera,
Que distingue real do irreal,
Que distingue confiança de obrigação,
Que se deixa amar e ser amado.

Eu quero ser aquele que é lembrado,
Por ser sereno, gentil e educado.
Repleto de ideias e expectativas, porém equilibrado
Criativo e engraçado, não eufórico e logomaníaco.

Quero ser aquele que coloca a cabeça no travesseiro à noite e tem bons sonhos,
Que ama e dá liberdade,
Que se entrega, que sabe esperar
Sabe agradecer e se conter, ver o certo e o errado e ainda poder escolher...

Quero ser aquele que ama e consegue ser amado,
Que consegue ver além das aparências, que interpreta apenas o que há para ser interpretado,
Que sabe dizer adeus,
Que perdoa,
Que se desculpa,

Então, quero ser apenas... Eu
Quero apenas sabedoria, força, paciência e compreensão para conseguir segurar o que me impede de ser eu mesmo!
*Mantido o anonimato

notícias..

Bom dia amigos...
passando só para mandar notícias,
dizer que estou bem, conseguindo me manter estável. Ainda sem medicamentos.

Saindo, me divertindo, bebendo um pouco mais... sim, ando mais compulsiva por comida e álcool. Será que é para preencher o vazio? rs.
A gente vai seguindo, um dia de cada vez. Da pra se virar.
Andei sumida, estudando bastante, mas procuro sempre responder pelo facebook.
Ah, quem tiver alguma história pode me enviar, que postarei aqui.
Grande abraço.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Aulas com o psiquiatra

Quando eu descobri que aquele meu primeiro psiquiatra estava dando aulas na minha faculdade, eu confesso não ter ligado muito. Era passado, eu já havia superado todas aquelas coisas, afinal já tinha se passado vários anos.
Meu primeiro contato com ele foi no 9º período, vou contar como foi a experiência......
O estágio era dividido em 4 grupos, e ele fazia uma reunião com cada grupo antes dos atendimentos, para explicar as particularidades dos atendimentos de saúde mental.
Quando chegou no dia da reunião do meu grupo, era numa sala grande, tinha uma mesa grande, formato ovalado, e várias cadeiras em volta, ele se sentou e os colegas começaram a se sentar em volta, fui a última a me sentar, a cadeira que tinha sobrado era do outro lado em que ele havia se sentado, porém, de frente. 
Trocamos olhares o tempo todo e algumas vezes ele apertava o olho tentando enxergar melhor e se inclinava pra frente em minha direção.
Eu pensei: ele não vai me reconhecer, já se passaram 5 anos, não tenho mais cabelos vermelhos, mudei bastante.
Ele se inclinou 2 vezes como se tentasse ler alguma coisa na minha direção e na terceira vez ele não aguentou e perguntou:" - Qual é o seu nome? O está escrito aí no seu jaleco?" E quando eu respondi, ele reconheceu meu sobrenome, é bastante diferente, acho que marcou. E então ele disse: "- Ah sim, já lembrei de onde eu te conheço"
Isso foi do nada, no meio da reunião, e todo mundo ficou me olhando sem entender nada, e ele seguiu como se nada tivesse acontecido.
No final da reunião os colegas vieram me perguntar o que foi aquilo, e eu achei aquilo ridículo, falta de ética e me deixou sim sem graça. Mas eu superei e terminei este estágio tranquila, levando as coisas de forma leve.
O nosso segundo encontro foi agora no 12º período.... E confesso que tem sido tenso algumas situações... ele não sabe o nome de ninguém, faz pose de estrela, mas sou a única que ele chama pelo nome, repete meu nome pelos corredores da clínica. Que coisa, não? Na época era o médico mais recomendado da cidade, era super dificil uma consulta mesmo com o preço absurdo (e só atendia particular) e hoje o consultório está vazio, ele tem que dar aulas e trabalhar em posto de saúde para se manter? 
Uma das últimas aulas ele passou um filme sobre freud, psicanálise e hipnose. Eu sabia (já desde a epóca em que me tratei com ele) que ele faz sessões de hipnose no consultório dele. Então fiz uma pergunta sobre como a hipnose atua no tratamento da psiquiatria hoje em dia e ele me respondeu de forma super seca, dizendo que não acredita muito e não é a favor (na minha opinião ele é um charlatão então... como é que ele cobra caro num procedimento que ele mesmo não acredita???)
Enfim, o clima ficou meio tenso, senti que ele não ficou a vontade com aquela pergunta... e continuou falando sobre outros procedimentos que ele não acredita, do tipo ir um grupo de pessoas passar um final de semana no mato, ou terapia cognitiva comportamental, pois ele não acha que ninguém tem o direito de falar o que a gente tem que fazer.
Que ele tem pavor de certas dinâmicas, igual tem em escolas, do tipo uma pessoa escrever um defeito da outra, etc...
E essas coisas me impressionaram.... Como pode uma pessoa não saber aceitar críticas, falar sobre seus defeitos?

Mas eu só sabia rir....
Na próxima aula, era ambulatório e a gente atende os pacientes e discute o caso com um dos preceptores disponíveis (são 4 psiquiatras então eu sempre ''fugia'' de discutir casos com ele, preferia um dos outros 3) mas neste dia os outros preceptores atrasaram e só tinha ele disponível. Fui discutir o caso da minha paciente com ele, uma mulher gravemente deprimida, havia se jogado de uma ponte esta semana, chorou a consulta inteira e dizia que iria tentar se matar novamente. Ele perguntou minha opinião, eu sugeri alguns diagnósticos e medicações, ele criticou, discordou e disse que não ia passar nada pra ela. Pediu pra que ela voltasse na próxima semana para convesar e direcionar perguntas da psicanálise para ela. 
Saí muito triste, pensativa e com uma certa revolta este dia.... como pode tratar o sofrimento humano daquela maneira? Com certeza é pq não era a filha dele, ou a mãe dele né.... Quanto descaso... Quanta insensibilidade... 
Enfim, preciso manter minha calma e minha fé!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Comentários...

Bom dia amigos...
Estou mais animada com as coisas que relatei na última postagem. Ou pelo menos, menos preocupada.
Acho que ninguém melhor do que as pessoas que convivem com a gente para nos avaliar, não é mesmo?
E esta semana eu ouvi vários comentários, por exemplo... eu estava preocupada com minha irritação, ''excesso de críticas" e ela disse que eu deveria parar com esta culpa, que na opinião dela, na maioria das vezes eu critico o que realmente deve ser criticado. A diferença é que as pessoas ficam mais caladas, e essa passividade não é legal, quer dizer que a pessoa está de acordo com a situação.

Eu acabei concordando sabe... não devemos nos calar diante situações em que percebemos algo de errado. Calar é uma forma também de contribuir para que nada mude. E isso será cobrado de nós um dia!
Outro comentário, foi uma amiga que disse que estou mais madura, lidando melhor com as oscilações e que escrever tem me feito muito bem, serve pra eu analisar melhor as situações, me pediu que eu relesse o blog inteiro desde o início até aqui e sim, ao fazer isso eu tive que concordar com ela, eu aprendi a lidar melhor com tudo. 
Ouvi também que é legal me ver incomodada com as coisas, que minha passividade é pior. É melhor eu me sentir ''viva''.
Agradeço não só a estes amigos, mas também aos comentários de vcs aqui, e dos leitores que mantenho contato pelo facebook. Para quem ainda não sabe, eu tenho um perfil criado lá, para manter contato com os leitores, tirar dúvidas, discutir opiniões e casos, sintam-se a vontade para add: http://www.facebook.com/umgrito.queecoa.1 
No mais, realmente só tenho a agradecer por tudo. Tenho traçado novas metas, novos planos e vou fazer de tudo para conseguir alcançá-los.
Ahhh, estou tendo aulas com aquele primeiro psiquiatra que contei a história para vcs... na próxima postagem conto como tem sido!!!
Grande abraço! 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Jaula

Depois de alguns dias sem postar, aqui estou eu novamente...
Eu e minha mania de desistir das coisas.
Mas não desisti não galera, só dei uma desanimada mesmo, vou continuar com as postagens. Aproveito para agradecer também os comentários, divulgação e apoio que recebo por aqui. 

Não sei como avaliar como estou neste momento: Sou mesmo uma moça de sorte, coisas maravilhosas tem acontecido na minha vida. Estou mais próxima da minha família, dos meus irmãos, estamos voltando a ser irmãos-parceiros, e isso me faz um bem danado. Tenho conseguido sair, conheci pessoas incríveis nos últimos meses. Estou bem no estágio da faculdade. Consegui me livrar de algumas coisas que estavam me fazendo mal....
Por outro lado eu acabei desistindo de vez do medcurso, não estou dormindo muito bem e isso sempre me traz consequencias terríveis... começo a ficar impaciente, intolerante, desrespeitar as pessoas, achar que sou a dona da verdade e que minha sinceridade não precisa de moderação.
Andei mal educada com colegas, julgando pessoas, postagens no e-mail e facebook condenando colegas (tudo bem que época de formatura é sempre muito difícil e cheio de problemas mesmo, mas não justifica).
Hoje acordei muito sensível, sentimental, com plena consciência de que não devo agir dessa forma e me enchendo de culpa, mas não sei como explicar, quanto mais tento me segurar, mais veneno sai da minha boca. E estou explosiva, alterando o tom de voz. 
Então cuidado comigo. As vezes acho que preciso de uma jaula e me manter lá por alguns dias até essas coisas passarem.
Tratar mal alguém é como uma facada no meu peito.
Não sou este monstro, não sou uma pessoa ruim, não tenho intenção de fazer mal as pessoas, tratá-las mal e quando isso acontece, fica essa angústia, essa dor enorme aqui dentro me sufocando.
Como eu disse, estou emotiva... presenciei um médico e colegas verdadeiramente preocupados com uma paciente, com extrema boa vontade e amor, paciência, conversa, acreditando numa pessoa que não acreditava mais em nada, dependente de alcool e drogas. Voltei para casa com os olhos cheios de lágrimas pela rua, emocionada com aqueles gestos tão naturais e sutis mas que tocavam meu coração de forma intensa.
Agora estou aqui, soluçando num choro incontrolável, escrevendo para dividir com vcs um pouco mais dos meus gritos. 
Talvez eu precise de uma consulta.
Talvez eu precise dos remédios.
Talvez eu precise apenas Gritar!