Sabe.. apesar de tudo eu sempre evitei me enxergar como vítima dessa doença. Ou de qualquer outra situação. Pra mim não existem vítimas e sim escolhas e consequências.
Se fazer de coitado não comove, irrita!
Pelo contrário... tenho até um certo orgulho afinal de contas mesmo diante todas essas dificuldades eu dei conta da vida.
Certos dias, eu mal conseguia sair da cama por causa dos remédios, mas nunca faltei nenhum estágio, nunca me atrasei, nunca fui reprovada. Senti preconceito, medo das pessoas, muitas vezes fui incompreendida, tive meu caráter questionado... mas lutei, persisti e hoje estou no último semestre do meu curso.
Quase 7 anos utilizando essas medicações não há realmente organismo que aguente sem nenhuma consequência...
Ano passado descobri um nódulo grande na minha tireóide, e um exame dos rins deu uma pequena alteração... O Lítio causa distúrbios da tireóide e rins e por mais cuidado que minha médica tinha de sempre pedir exames, me monitorar aconteceu...
O antipsicótico com mais tempo de uso altera o metabolismo, aumenta os níveis de colesterol, trigicérides e glicose do sangue... foi o que aconteceu comigo também. Atingi um triglicérides acima de 680 que não reduziu nem com dieta, nem com atividade física, nem com o fibrato (medicação pra reduzir os niveis de triglicerides).
Então a única decisão que restou para a minha médica foi suspender as duas medicaçoes, de forma bastante lenta e gradual e eu concordei, afinal estava me sentindo bem e com condições de me manter equilibrada...
Assim foi... fiquei mais de 6 meses sem nenhuma medicação, me mantive bem, os exames normalizaram, consegui emagrecer mais um pouco... estava satisfeita.
Mas infelizmente eu percebi que realmente é muito arriscado ficar sem medicação e acabei caindo numa crise de depressão bastante forte. Procurei a homeopatia pra tentar me estabilizar, me pareceu interessante.... mas infelizmente não funcionou.
Comecei a pensar em auto mutilação e suicidio de novo. Não existe autocontrole nesta doença... vc simplesmente não comanda suas oscilações e então eu resolvi pedir ajuda a minha psiquiatra.
Ela preocupada, achou melhor introduzir alguma medicação, já tinha me alertado sobre essa possibilidade desde quando ela resolveu suspender tudo.
Ela me perguntou sobre qual remédio foi melhor pra mim durante todos esses anos, eu disse que o Lítio, ela também concordou, mas disse que não se sentia segura em me receitar o lítio novamente, pois mesmo com os exames normais, eu ainda estava com aquele nódulo na tireóide.
Era um nódulo benigno, eu fiz biópsia, estava em acompanhamento com ultrassom, e em momento nenhum meus hormônios tireoideanos chegaram a alterar, portanto não seria contra-indicado eu voltar a usar o Lítio, mas respeitei sua insegurança.
Como os sintomas de depressão estavam bastante intensos ela me receitou então a desvenlafaxina, um antidepressivo.
Tudo bem, me calei, estava mesmo apática e passiva e comecei a tomar conforme orientado...
Com 20 dias comecei apresentar uma melhora considerável, mas logo me senti muito ansiosa, agitada... inquieta...
Isso sempre acontecia quando eu tomava antidepressivos. Daí questionei mais ainda a conduta da minha médica... Se ela estava insegura quanto ao lítio, tudo bem, mas poderia ter tentado outro estabilizador de humor por exemplo. Sei pelos meus estudos que antidepressivos não são muito indicados para transtorno bipolar.
Tentei questioná-la, que logo se irritou... a psiquiatria na prática é bem diferente da teoria e até hoje eu não concordo muito com essa história de o que importa é o sintoma e tratar o sintoma, na minha ignorância médica acho que o ideal seria tratar a doença como um todo... mas quem sou eu pra questionar?
Nenhum comentário:
Postar um comentário