domingo, 1 de julho de 2012

Questionamentos...

Chegou o módulo de psiquiatria na faculdade... Estudar aqueles transtornos todos não foi nada fácil.
Me identificava com muitos deles. Comecei a me perguntar pq minha médica nunca havia me dado um diagnóstico.
Comcei então a questionar muito sobre isso com ela. Ela sempre insistia que diagnósticos não são importantes, servem só para rotular e que o importante é estabilizar os sintomas.

Não concordava com aquilo. Toda doença só é possível ser tratada após ser diagnosticada e comecei a ficar insegura.
Acho que muitas vezes fui chata com ela, insisti nisso e senti que ela as vezes ficava impaciente também. 

Mas era meu direito querer saber tudo, ainda mais agora eu já estava no 6º período, metade da faculdade de medicina... não era mais uma leiga, e eu queria muito que ela entendesse isso, que eu não era como os outros pacientes dela em que ela pensava sozinha e falava as coisas sem entrar muito a fundo.
Queria um diagnóstico, queria saber cientificamente e medicamente sobre o que acontecia comigo. Sentia muitas vezes ela irritada, impaciente com meus questionamentos... dai um dia falou sobre transtorno bipolar.
Se ela soubesse o alívio daquilo, ela já teria dito antes... eu me diagnosticava em mil coisas, até mesmo esquizofrenia as vezes.

Estudei a fundo transtorno bipolar, vi todos seus tipos, variações, tratamentos.
Me sentia mais confortável agora, mas mesmo assim gostaria muito que ela me desse mais liberdade pra conversar sobre os tratamentos, estudos recentes, de médica pra uma pessoa não leiga.

Essas implicâncias foram crescendo... e eu perdi a vontade de ir lá. Comecei a questionar pois de acordo com os meus estudos, uma pessoa com transtorno bipolar que está em tratamento e acompanhamento ha anos atinge uma certa estabilidade, não tem tantas recaídas como eu tinha não. Apresentava em média umas 4 recaídas por semestre e de acordo com meus estudos aquilo não deveria acontecer. E eu não tinha espaço pra discutir isso com ela, então resolvi dar um tempo. Continuei com as medicaçoes, mas não ia mais fazer a terapia.
Resolvi aceitar que eu teria que conviver com tudo isso mesmo. Cheguei a procurar outras opiniões de outros psiquiatras que achavam que minha medicação estava com dose muito baixa, sugeriram eu dobrar tudo. Mas eu não conseguia viver com a sonolência e todos aqueles efeitos robóticos...
Então comecei a perceber que no fundo a minha psiquiatra só queria tentar me deixar ''bem'' com a menor dosagem possível pra eu dar conta de tudo.

Infelizmente eu também não tinha liberdade pra conversar com ela sobre tudo o que eu sentia. Ainda trazia comigo o trauma de terem tentando me internar, e certamente se eu falasse sobre aquelas esquisitices, ela tentaria me dopar de novo ou ate mesmo internar.
Eu podia me abrir com o pessoal do centro espírita, mas não fazia muita diferença também. só me orientavam tomar passes.
Infelizmente a psiquiatria na minha cidade é muito primitiva, e não tem nenhum psiquiatra-espírita.
Então o jeito era eu me virar com o que tinha mesmo...

Nenhum comentário:

Postar um comentário