sábado, 23 de junho de 2012

Arquitetura..


Finalmente janeiro chegou, estava ansiosa com o primeiro dia na faculdade.. pra falar a verdade estava com medo. Pensei comigo mesma e vi que não havia motivo nenhum para medo. Diante das coisas que passei, nada poderia ser pior. 
Poderia ser melhor, até. Já que era um novo ambiente, novas pessoas, não me conheciam, então poderia ser uma ótima chance para encarar um novo papel alí. 
E foi assim que eu fiz... O curso era noturno, me preparei durante o dia todo... Cheguei na sala de aula sorridente e simpática. Se os atores da televisão conseguem fazer vários papéis, das mais variadas personalidades possíveis, pq eu não poderia também?
Eram poucos alunos, uns 3 ou 4 jovens apenas e os demais já mais maduros. Uma delas, uma senhora de cabelo mais curto me passava uma boa energia.
Uma das jovens era muito séria e tinha um semblante superior, não gostava daquele ar soberbo, muito menos da mania que ela tinha de coçar o cabelo.
Uma outra moça era extremamente falante, e se percebia nela grande alegria em estar ali. 
Havia também 2 jovens rapazes... um bastante vaidoso, roupas da moda, cabelo mais cheio, porém bem cortado, "deve ser o galã da turma" -logo pensei-.
 O outro parecia bastante tímido, tinha um semblante estranho, olhar distante e fixo, usava óculos e uma camiseta largada, "seria o nerd" -pensei-.
Os demais não chamavam tanta atenção e nem tive muito tempo de observar, logo entrou o professor. Se apresentou como professor de desenho artístico, era um sujeito baixinho, cabelos grisalhos, olhos pequenos. Me empolguei muito, desde criança adorava desenhar mas nunca havia feito nenhum curso, nenhuma aula e essa oportunidade me fascinava.
Ele entregou uma folha em branco juntamente com um lápis para cada um de nós e pediu que desenhassemos uma bicicleta.
Seria ali um teste de habilidades? Se era ou não, todos deram risada e começamos a desenhar. O engraçado era um olhando pro desenho do outro, ali eu pude relaxar pois realmente o dom de desenho deles era trágico.. Menos a menina séria. Estava sentada longe e eu não podia ver seu desenho, mas parecia ali uma grande desenhista, cabeça baixa, olhar compenetrado e severo.
O professor recolheu nossos desenhos rindo junto com a gente daquelas bicicletas que mais pareciam ter sido feitas por pré-escolares.
Logo em seguida entrou o professor de topografia. Alto, gordinho, bastante cativante... ele era também o coordenador do curso, falou que teriamos que lidar com a matemática, o que me desanimou um pouco mas eu superaria.
A professora de história da arte era malucona, uma mulher bastante moderna de cabelos vermelho como fogo, um piercing no nariz, inúmeras tatuagens estranhas pelo corpo e bastante visíveis. Particulamente uma delas me incomodava bastante, a do braço esquerdo, parecia uma fatia de salame. Como pode alguem tatuar isso? Ela entrou na sala, roupa curta, decotada, toda preta, com uma garrafa de café na mão, sentou-se em cima da mesa, enquanto falava tomava seus goles de café e fumava seu cigarro. Embora provocasse grande polêmica, sua inteligencia,percepção e interpretação da arte eram admiráveis.
A professora de desenho técnico lembrava uma mãe pela extrema atenção, carinho e preocupação conosco.
Eu não poderia estar mais feliz e empolgada com tudo isso!
Já nas primeiras semanas me destaquei não só por minha dedicação, me cobrar e querer fazer tudo da melhor forma possível sempre fez parte da minha personalidade, mas alí eu tinha algo ainda mais empolgante: o desenho! 
Como foi bom desenvolver um pouco daquele talento, amava as aulas de desenho artístico, desenhar as formas, as sombras, as luzes, aprender a usar os tons de lápis preto e de cor. O professor se empolgava também, passava horas na minha mesa rabiscando e me ensinando. Como eu admirava aquela criatura... um pouco desligado, voado, coisa de artista. Mas gostava daquele jeito, me deixava a vontade. Em pouco tempo me tornei monitora e auxiliava os colegas com maior dificuldade no desenho.
Após um mês de aula, um novo aluno chegou na nossa turma. Demorou para começar pois estava no exterior fazendo intercâmbio. Acho que ele passou tanto tempo fora do Brasil que chegou com cara de gringo mesmo, branquelo, cabelo meio cor de ferrugem e um sotaque estranho. Me prontifiquei a ajudá-lo, aos poucos se tornou um grande amigo.
Com o tempo, a nossa turma se deu muito bem. E até mesmo a garota séria de cara fechada passou a se enturmar e descobri que era uma boa pessoa.
Tudo estava maravilhosamente bem, eu me esforçava o máximo que podia pra me socializar e parecer o menos robótica possível. 
Coloquei uma meta: cumprimentar todos os dias cada colega com um abraço e dizer boa noite a cada pessoa que cruzasse por mim nos corredores.
Parece bobo, como algo tão simples que era uma coisa automática em minha vida antes se tornou tão difícil pra mim? Alcançar essa meta faria toda diferença.
As coisas pareciam realmente querer tomar um rumo diferente agora....

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