Bom dia amigos...
Ontem conversando com uma amiga, pude remeter minha memória ao passado..
Me enxerguei nela, com toda aquela angústia de efeitos colaterais!
Ela vem apresentando desânimo, falta de concetração, alteração do sono, já teve diagnóstico uma vez de fibromialgia tratada com fluoxetina (glória ao Pai!!!) kkkkk
E resolveu procurar um psiquiatra, que explicou a ela que fluoxetina é dos tempos da vovozinha (graças a Deus!) e a ofereceu o moderno e promissor antidepressivo Escitalopram.
Ela começou a apresentar muita sonolencia, a ponto de atrapalhar toda sua rotina e ela não poderia ter essa opção de sentir sono pois trabalha o dia todo e a noite faz faculdade.
O atencioso psiquiatra então sugeriu que ela trocasse pela Bupropiona, com certeza aumentaria o pique e a energia dela, sem falar no tão famoso ''viagra feminino''. A idéia pareceu muito boa e animadora....
Mas eles não contavam com mais um efeito colateral... desta vez minha amiga passou a ter insônia intensa, mesmo tomando o remédio bem cedinho conforme recomendado, pior, junto a isso, apresentou pesadelos terríveis, sonhos estranhos... Inicialmente não associou com a medicação, mas a persitência mesmo com mais de um mês usando, levou ela a desconfiar do tal remédio e tchan tchan tchan... lá dizia ser sim causado por ele.
E agora o psiquiatra começa a suspeitar de transtorno bipolar.............
Mas pq hoje eu estou relatando história que não é minha?
enfim, acho que aprendemos com qualquer que seja a história, dificuldade, alguém pode se identificar... tanto que abri um espaço para os leitores enviarem pelo facebook seus relatos, para que eu possa postar aqui também e interargimos...
Voltando ao assunto... tem a ver comigo também, pois me identifiquei com ela nos quesitos efeitos colaterais de antidepressivos!!!
É sabido que bipolares não devem usar antidepressivos, seja por piorar seus sintomas, seja pq não fazem efeito, seja pq pode causar ciclagem rápida.....
Mas hoje eu levanto uma questão diferente! Será que além disso tudo, é comum também os bipolares apresentarem mais efeitos colaterais de antidepressivos do que as demais pessoas?
Quero deixar bem claro que isso não é fonte científica, e nunca lí nada a respeito, é apenas uma observação quanto o que eu passei, que vejo algumas pessoas passarem e também já ouvi relatos de outros pacientes.
Será que algum dia isso pode se tornar um ponto a favor de mais diagnósticos?
Alguém tem alguma opinião? Alguma experiência própria?
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Ciclotimia e transcendência
Ciclotimia e transcendência.
"Sempre tive ciclagem rápida, isto é, a capacidade de passar
da euforia para a depressão em poucos minutos, várias vezes ao dia. Com o
tempo, esta característica transformou-se em humor misto.
O humor misto apresenta todas estas manifestações, mais ansiedade
e turbulência.
Segundo o Dr. Diogo Lara, quem tem estas características,
tem em si a capacidade de transcendência, de ver a vida de forma lírica. Hipersensíveis,
normalmente seguem a carreira de escritores, poetas e artistas. O cotidiano é
pouco para absorver tanta energia espiritual.
São nos instantes de transcendência e grande emoção, que a
paz se instala.
Por pouco tempo.
O tempo de ser feliz.
Porque afinal, a paz continua longe.
Todavia habita a minha alma.
A bipolaridade me fragmenta, impedindo a paz.
E eu sei que ela está logo ali e não alcanço.
Frustração diária.
De alguma forma, ela me acalenta, a paz.
De alguma forma, todo o esforço para bem viver não tem sido
em vão.
De alguma forma, este é o sentido da minha vida.
Sobreviver a mim mesma, buscando a paz."
Anonimato preservado do blog " Eu Bipolar buscando a paz "
domingo, 7 de outubro de 2012
Notícias...
Amigos, peço desculpas pela falta de tempo em atualizar aqui, mas sempre que posso respondo pelo facebook.
Estou no internato rural, é um estágio numa cidadezinha que fica 100km daqui, tem sido bacana, bastante proveitoso...
Estou acreditando mais em mim mesma, podendo colocar em prática minha capacidade, recebendo elogios, exercendo minha profissão com bastante retorno e isso me enche de energia.
É muito bom ver de verdade que nada foi em vão, que valeu a pena cada luta, cada batalha, cada esforço, cada sofrimento...
Fui aprovada num curso do ACLS... que é um título internacional de suporte avançado na cardiologia, estou provando pra mim mesma e para todos que sou capaz, que tudo valeu.
Agradeço o apoio de todos aqui que sempre recebo também, e volto a dizer, não desitam, vale a pena.
Estou no internato rural, é um estágio numa cidadezinha que fica 100km daqui, tem sido bacana, bastante proveitoso...
Estou acreditando mais em mim mesma, podendo colocar em prática minha capacidade, recebendo elogios, exercendo minha profissão com bastante retorno e isso me enche de energia.
É muito bom ver de verdade que nada foi em vão, que valeu a pena cada luta, cada batalha, cada esforço, cada sofrimento...
Fui aprovada num curso do ACLS... que é um título internacional de suporte avançado na cardiologia, estou provando pra mim mesma e para todos que sou capaz, que tudo valeu.
Agradeço o apoio de todos aqui que sempre recebo também, e volto a dizer, não desitam, vale a pena.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Fim da saúde mental
O estágio de saúde mental está chegando ao fim, esta é a última semana, já fizemos a prova. Sobrevivi de uma maneira mais tranquila, menos angustiante ao estudar e conviver com os transtornos desta vez.
Estou saindo mais madura, vencendo preconceitos, com uma mente mais aberta, com maior capacidade de lidar com o ser humano e seus sofrimentos.
A formatura está cada dia mais próxima, não sei se essa ansiedade tem contribuido para minha insônia, minhas preocupações.
Mas devo desabafar que não ando me sentindo muito bem, estou com a energia mais pra baixo, sábado e domingo tive crise de choro...
será a ''coisa'' voltando novamente, meu Deus?
medo, insegurança...
Passa tanta coisa na minha cabeça...
Que esta angústia seja passageira, por favor!
Estou saindo mais madura, vencendo preconceitos, com uma mente mais aberta, com maior capacidade de lidar com o ser humano e seus sofrimentos.
A formatura está cada dia mais próxima, não sei se essa ansiedade tem contribuido para minha insônia, minhas preocupações.
Mas devo desabafar que não ando me sentindo muito bem, estou com a energia mais pra baixo, sábado e domingo tive crise de choro...
será a ''coisa'' voltando novamente, meu Deus?
medo, insegurança...
Passa tanta coisa na minha cabeça...
Que esta angústia seja passageira, por favor!
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Sentimentos Bipolar
Não quero ser aquele que ama, mas machuca,
Que sente falta e maltrata,
Que tem desejos e se arrepende,
Que ama, mas impulsivamente trai,
Que desconfia loucamente,
Que não dorme por inseguranças irreais,
Que grita de desespero;
Não quero ser aquele... O louco,
Que beija e depois escarra,
Que afaga e depois bate,
Que ri, mas depois chora,
Que perde noites de sono mesmo com tudo absolutamente bem e resolvido.
Não quero ser aquele que procura perigo, que procura problemas, confusão,
Não quero estar junto e ao mesmo me sentir sozinho, estar longe e sentir o vazio;
Não quero ser aquele que julga, que perde a cabeça, que exagera, grita,
machuca, ofende, abraça, beija, sorri e ainda deseja um bom dia;
Não quero ser aquele odiado por tentar amar,
Recriminado por tentar mostrar,
Após discussões e brigas tentar convencer,
O quão difícil é ser um bipolar.
O que quero ser é aquele que ama e consegue mostrar,
Que preocupa, mas não exagera,
Que sente saudade e não se desespera,
Que é inseguro, mas supera,
Que distingue real do irreal,
Que distingue confiança de obrigação,
Que se deixa amar e ser amado.
Eu quero ser aquele que é lembrado,
Por ser sereno, gentil e educado.
Repleto de ideias e expectativas, porém equilibrado
Criativo e engraçado, não eufórico e logomaníaco.
Quero ser aquele que coloca a cabeça no travesseiro à noite e tem bons sonhos,
Que ama e dá liberdade,
Que se entrega, que sabe esperar
Sabe agradecer e se conter, ver o certo e o errado e ainda poder escolher...
Quero ser aquele que ama e consegue ser amado,
Que consegue ver além das aparências, que interpreta apenas o que há para ser interpretado,
Que sabe dizer adeus,
Que perdoa,
Que se desculpa,
Então, quero ser apenas... Eu
Quero apenas sabedoria, força, paciência e compreensão para conseguir segurar o que me impede de ser eu mesmo!
*Mantido o anonimato
Leia mais e na fonte: Transtorno Afetivo Bipolar do Humor - Bipolar Brasil: Bipolar e os sentimentos http://www.bipolarbrasil.net/2012/08/bipolar-e-os-sentimentos.html#ixzz24r8zxxz0
Under Creative Commons License: Attribution No Derivatives
notícias..
Bom dia amigos...
passando só para mandar notícias,
dizer que estou bem, conseguindo me manter estável. Ainda sem medicamentos.
Saindo, me divertindo, bebendo um pouco mais... sim, ando mais compulsiva por comida e álcool. Será que é para preencher o vazio? rs.
A gente vai seguindo, um dia de cada vez. Da pra se virar.
Andei sumida, estudando bastante, mas procuro sempre responder pelo facebook.
Ah, quem tiver alguma história pode me enviar, que postarei aqui.
Grande abraço.
passando só para mandar notícias,
dizer que estou bem, conseguindo me manter estável. Ainda sem medicamentos.
Saindo, me divertindo, bebendo um pouco mais... sim, ando mais compulsiva por comida e álcool. Será que é para preencher o vazio? rs.
A gente vai seguindo, um dia de cada vez. Da pra se virar.
Andei sumida, estudando bastante, mas procuro sempre responder pelo facebook.
Ah, quem tiver alguma história pode me enviar, que postarei aqui.
Grande abraço.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Aulas com o psiquiatra
Quando eu descobri que aquele meu primeiro psiquiatra estava dando aulas na minha faculdade, eu confesso não ter ligado muito. Era passado, eu já havia superado todas aquelas coisas, afinal já tinha se passado vários anos.
Meu primeiro contato com ele foi no 9º período, vou contar como foi a experiência......
O estágio era dividido em 4 grupos, e ele fazia uma reunião com cada grupo antes dos atendimentos, para explicar as particularidades dos atendimentos de saúde mental.
Quando chegou no dia da reunião do meu grupo, era numa sala grande, tinha uma mesa grande, formato ovalado, e várias cadeiras em volta, ele se sentou e os colegas começaram a se sentar em volta, fui a última a me sentar, a cadeira que tinha sobrado era do outro lado em que ele havia se sentado, porém, de frente.
Trocamos olhares o tempo todo e algumas vezes ele apertava o olho tentando enxergar melhor e se inclinava pra frente em minha direção.
Eu pensei: ele não vai me reconhecer, já se passaram 5 anos, não tenho mais cabelos vermelhos, mudei bastante.
Ele se inclinou 2 vezes como se tentasse ler alguma coisa na minha direção e na terceira vez ele não aguentou e perguntou:" - Qual é o seu nome? O está escrito aí no seu jaleco?" E quando eu respondi, ele reconheceu meu sobrenome, é bastante diferente, acho que marcou. E então ele disse: "- Ah sim, já lembrei de onde eu te conheço"
Isso foi do nada, no meio da reunião, e todo mundo ficou me olhando sem entender nada, e ele seguiu como se nada tivesse acontecido.
No final da reunião os colegas vieram me perguntar o que foi aquilo, e eu achei aquilo ridículo, falta de ética e me deixou sim sem graça. Mas eu superei e terminei este estágio tranquila, levando as coisas de forma leve.
O nosso segundo encontro foi agora no 12º período.... E confesso que tem sido tenso algumas situações... ele não sabe o nome de ninguém, faz pose de estrela, mas sou a única que ele chama pelo nome, repete meu nome pelos corredores da clínica. Que coisa, não? Na época era o médico mais recomendado da cidade, era super dificil uma consulta mesmo com o preço absurdo (e só atendia particular) e hoje o consultório está vazio, ele tem que dar aulas e trabalhar em posto de saúde para se manter?
Uma das últimas aulas ele passou um filme sobre freud, psicanálise e hipnose. Eu sabia (já desde a epóca em que me tratei com ele) que ele faz sessões de hipnose no consultório dele. Então fiz uma pergunta sobre como a hipnose atua no tratamento da psiquiatria hoje em dia e ele me respondeu de forma super seca, dizendo que não acredita muito e não é a favor (na minha opinião ele é um charlatão então... como é que ele cobra caro num procedimento que ele mesmo não acredita???)
Enfim, o clima ficou meio tenso, senti que ele não ficou a vontade com aquela pergunta... e continuou falando sobre outros procedimentos que ele não acredita, do tipo ir um grupo de pessoas passar um final de semana no mato, ou terapia cognitiva comportamental, pois ele não acha que ninguém tem o direito de falar o que a gente tem que fazer.
Que ele tem pavor de certas dinâmicas, igual tem em escolas, do tipo uma pessoa escrever um defeito da outra, etc...
E essas coisas me impressionaram.... Como pode uma pessoa não saber aceitar críticas, falar sobre seus defeitos?
Mas eu só sabia rir....
Na próxima aula, era ambulatório e a gente atende os pacientes e discute o caso com um dos preceptores disponíveis (são 4 psiquiatras então eu sempre ''fugia'' de discutir casos com ele, preferia um dos outros 3) mas neste dia os outros preceptores atrasaram e só tinha ele disponível. Fui discutir o caso da minha paciente com ele, uma mulher gravemente deprimida, havia se jogado de uma ponte esta semana, chorou a consulta inteira e dizia que iria tentar se matar novamente. Ele perguntou minha opinião, eu sugeri alguns diagnósticos e medicações, ele criticou, discordou e disse que não ia passar nada pra ela. Pediu pra que ela voltasse na próxima semana para convesar e direcionar perguntas da psicanálise para ela.
Saí muito triste, pensativa e com uma certa revolta este dia.... como pode tratar o sofrimento humano daquela maneira? Com certeza é pq não era a filha dele, ou a mãe dele né.... Quanto descaso... Quanta insensibilidade...
Enfim, preciso manter minha calma e minha fé!
Meu primeiro contato com ele foi no 9º período, vou contar como foi a experiência......
O estágio era dividido em 4 grupos, e ele fazia uma reunião com cada grupo antes dos atendimentos, para explicar as particularidades dos atendimentos de saúde mental.
Quando chegou no dia da reunião do meu grupo, era numa sala grande, tinha uma mesa grande, formato ovalado, e várias cadeiras em volta, ele se sentou e os colegas começaram a se sentar em volta, fui a última a me sentar, a cadeira que tinha sobrado era do outro lado em que ele havia se sentado, porém, de frente.
Trocamos olhares o tempo todo e algumas vezes ele apertava o olho tentando enxergar melhor e se inclinava pra frente em minha direção.
Eu pensei: ele não vai me reconhecer, já se passaram 5 anos, não tenho mais cabelos vermelhos, mudei bastante.
Ele se inclinou 2 vezes como se tentasse ler alguma coisa na minha direção e na terceira vez ele não aguentou e perguntou:" - Qual é o seu nome? O está escrito aí no seu jaleco?" E quando eu respondi, ele reconheceu meu sobrenome, é bastante diferente, acho que marcou. E então ele disse: "- Ah sim, já lembrei de onde eu te conheço"
Isso foi do nada, no meio da reunião, e todo mundo ficou me olhando sem entender nada, e ele seguiu como se nada tivesse acontecido.
No final da reunião os colegas vieram me perguntar o que foi aquilo, e eu achei aquilo ridículo, falta de ética e me deixou sim sem graça. Mas eu superei e terminei este estágio tranquila, levando as coisas de forma leve.
O nosso segundo encontro foi agora no 12º período.... E confesso que tem sido tenso algumas situações... ele não sabe o nome de ninguém, faz pose de estrela, mas sou a única que ele chama pelo nome, repete meu nome pelos corredores da clínica. Que coisa, não? Na época era o médico mais recomendado da cidade, era super dificil uma consulta mesmo com o preço absurdo (e só atendia particular) e hoje o consultório está vazio, ele tem que dar aulas e trabalhar em posto de saúde para se manter?
Uma das últimas aulas ele passou um filme sobre freud, psicanálise e hipnose. Eu sabia (já desde a epóca em que me tratei com ele) que ele faz sessões de hipnose no consultório dele. Então fiz uma pergunta sobre como a hipnose atua no tratamento da psiquiatria hoje em dia e ele me respondeu de forma super seca, dizendo que não acredita muito e não é a favor (na minha opinião ele é um charlatão então... como é que ele cobra caro num procedimento que ele mesmo não acredita???)
Enfim, o clima ficou meio tenso, senti que ele não ficou a vontade com aquela pergunta... e continuou falando sobre outros procedimentos que ele não acredita, do tipo ir um grupo de pessoas passar um final de semana no mato, ou terapia cognitiva comportamental, pois ele não acha que ninguém tem o direito de falar o que a gente tem que fazer.
Que ele tem pavor de certas dinâmicas, igual tem em escolas, do tipo uma pessoa escrever um defeito da outra, etc...
E essas coisas me impressionaram.... Como pode uma pessoa não saber aceitar críticas, falar sobre seus defeitos?
Mas eu só sabia rir....
Na próxima aula, era ambulatório e a gente atende os pacientes e discute o caso com um dos preceptores disponíveis (são 4 psiquiatras então eu sempre ''fugia'' de discutir casos com ele, preferia um dos outros 3) mas neste dia os outros preceptores atrasaram e só tinha ele disponível. Fui discutir o caso da minha paciente com ele, uma mulher gravemente deprimida, havia se jogado de uma ponte esta semana, chorou a consulta inteira e dizia que iria tentar se matar novamente. Ele perguntou minha opinião, eu sugeri alguns diagnósticos e medicações, ele criticou, discordou e disse que não ia passar nada pra ela. Pediu pra que ela voltasse na próxima semana para convesar e direcionar perguntas da psicanálise para ela.
Saí muito triste, pensativa e com uma certa revolta este dia.... como pode tratar o sofrimento humano daquela maneira? Com certeza é pq não era a filha dele, ou a mãe dele né.... Quanto descaso... Quanta insensibilidade...
Enfim, preciso manter minha calma e minha fé!
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Comentários...
Bom dia amigos...
Estou mais animada com as coisas que relatei na última postagem. Ou pelo menos, menos preocupada.
Acho que ninguém melhor do que as pessoas que convivem com a gente para nos avaliar, não é mesmo?
E esta semana eu ouvi vários comentários, por exemplo... eu estava preocupada com minha irritação, ''excesso de críticas" e ela disse que eu deveria parar com esta culpa, que na opinião dela, na maioria das vezes eu critico o que realmente deve ser criticado. A diferença é que as pessoas ficam mais caladas, e essa passividade não é legal, quer dizer que a pessoa está de acordo com a situação.
Eu acabei concordando sabe... não devemos nos calar diante situações em que percebemos algo de errado. Calar é uma forma também de contribuir para que nada mude. E isso será cobrado de nós um dia!
Outro comentário, foi uma amiga que disse que estou mais madura, lidando melhor com as oscilações e que escrever tem me feito muito bem, serve pra eu analisar melhor as situações, me pediu que eu relesse o blog inteiro desde o início até aqui e sim, ao fazer isso eu tive que concordar com ela, eu aprendi a lidar melhor com tudo.
Ouvi também que é legal me ver incomodada com as coisas, que minha passividade é pior. É melhor eu me sentir ''viva''.
Agradeço não só a estes amigos, mas também aos comentários de vcs aqui, e dos leitores que mantenho contato pelo facebook. Para quem ainda não sabe, eu tenho um perfil criado lá, para manter contato com os leitores, tirar dúvidas, discutir opiniões e casos, sintam-se a vontade para add: http://www.facebook.com/umgrito.queecoa.1
No mais, realmente só tenho a agradecer por tudo. Tenho traçado novas metas, novos planos e vou fazer de tudo para conseguir alcançá-los.
Ahhh, estou tendo aulas com aquele primeiro psiquiatra que contei a história para vcs... na próxima postagem conto como tem sido!!!
Grande abraço!
Estou mais animada com as coisas que relatei na última postagem. Ou pelo menos, menos preocupada.
Acho que ninguém melhor do que as pessoas que convivem com a gente para nos avaliar, não é mesmo?
E esta semana eu ouvi vários comentários, por exemplo... eu estava preocupada com minha irritação, ''excesso de críticas" e ela disse que eu deveria parar com esta culpa, que na opinião dela, na maioria das vezes eu critico o que realmente deve ser criticado. A diferença é que as pessoas ficam mais caladas, e essa passividade não é legal, quer dizer que a pessoa está de acordo com a situação.
Eu acabei concordando sabe... não devemos nos calar diante situações em que percebemos algo de errado. Calar é uma forma também de contribuir para que nada mude. E isso será cobrado de nós um dia!
Outro comentário, foi uma amiga que disse que estou mais madura, lidando melhor com as oscilações e que escrever tem me feito muito bem, serve pra eu analisar melhor as situações, me pediu que eu relesse o blog inteiro desde o início até aqui e sim, ao fazer isso eu tive que concordar com ela, eu aprendi a lidar melhor com tudo.
Ouvi também que é legal me ver incomodada com as coisas, que minha passividade é pior. É melhor eu me sentir ''viva''.
Agradeço não só a estes amigos, mas também aos comentários de vcs aqui, e dos leitores que mantenho contato pelo facebook. Para quem ainda não sabe, eu tenho um perfil criado lá, para manter contato com os leitores, tirar dúvidas, discutir opiniões e casos, sintam-se a vontade para add: http://www.facebook.com/umgrito.queecoa.1
No mais, realmente só tenho a agradecer por tudo. Tenho traçado novas metas, novos planos e vou fazer de tudo para conseguir alcançá-los.
Ahhh, estou tendo aulas com aquele primeiro psiquiatra que contei a história para vcs... na próxima postagem conto como tem sido!!!
Grande abraço!
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Jaula
Depois de alguns dias sem postar, aqui estou eu novamente...
Eu e minha mania de desistir das coisas.
Mas não desisti não galera, só dei uma desanimada mesmo, vou continuar com as postagens. Aproveito para agradecer também os comentários, divulgação e apoio que recebo por aqui.
Eu e minha mania de desistir das coisas.
Mas não desisti não galera, só dei uma desanimada mesmo, vou continuar com as postagens. Aproveito para agradecer também os comentários, divulgação e apoio que recebo por aqui.
Não sei como avaliar como estou neste momento: Sou mesmo uma moça de sorte, coisas maravilhosas tem acontecido na minha vida. Estou mais próxima da minha família, dos meus irmãos, estamos voltando a ser irmãos-parceiros, e isso me faz um bem danado. Tenho conseguido sair, conheci pessoas incríveis nos últimos meses. Estou bem no estágio da faculdade. Consegui me livrar de algumas coisas que estavam me fazendo mal....
Por outro lado eu acabei desistindo de vez do medcurso, não estou dormindo muito bem e isso sempre me traz consequencias terríveis... começo a ficar impaciente, intolerante, desrespeitar as pessoas, achar que sou a dona da verdade e que minha sinceridade não precisa de moderação.
Andei mal educada com colegas, julgando pessoas, postagens no e-mail e facebook condenando colegas (tudo bem que época de formatura é sempre muito difícil e cheio de problemas mesmo, mas não justifica).
Hoje acordei muito sensível, sentimental, com plena consciência de que não devo agir dessa forma e me enchendo de culpa, mas não sei como explicar, quanto mais tento me segurar, mais veneno sai da minha boca. E estou explosiva, alterando o tom de voz.
Então cuidado comigo. As vezes acho que preciso de uma jaula e me manter lá por alguns dias até essas coisas passarem.
Tratar mal alguém é como uma facada no meu peito.
Não sou este monstro, não sou uma pessoa ruim, não tenho intenção de fazer mal as pessoas, tratá-las mal e quando isso acontece, fica essa angústia, essa dor enorme aqui dentro me sufocando.
Como eu disse, estou emotiva... presenciei um médico e colegas verdadeiramente preocupados com uma paciente, com extrema boa vontade e amor, paciência, conversa, acreditando numa pessoa que não acreditava mais em nada, dependente de alcool e drogas. Voltei para casa com os olhos cheios de lágrimas pela rua, emocionada com aqueles gestos tão naturais e sutis mas que tocavam meu coração de forma intensa.
Agora estou aqui, soluçando num choro incontrolável, escrevendo para dividir com vcs um pouco mais dos meus gritos.
Como eu disse, estou emotiva... presenciei um médico e colegas verdadeiramente preocupados com uma paciente, com extrema boa vontade e amor, paciência, conversa, acreditando numa pessoa que não acreditava mais em nada, dependente de alcool e drogas. Voltei para casa com os olhos cheios de lágrimas pela rua, emocionada com aqueles gestos tão naturais e sutis mas que tocavam meu coração de forma intensa.
Agora estou aqui, soluçando num choro incontrolável, escrevendo para dividir com vcs um pouco mais dos meus gritos.
Talvez eu precise de uma consulta.
Talvez eu precise dos remédios.
Talvez eu precise apenas Gritar!Talvez eu precise dos remédios.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Hoje...
Me sinto bem,
Me sinto forte,
Me sinto um pouco mais capaz de comandar minhas oscilações,
Estudo, luto, esforço, educo.
A insônia parece querer se aproximar,
Nada de irritação. Preciso me manter firme.
Pena que as pessoas e o mundo não contribuem para esse meu esforço. rs.
Cabeça grande? Mãos dormentes? Estranhezas?
Nenhuma novidade né....
Insegura, mas firme!
Me sinto forte,
Me sinto um pouco mais capaz de comandar minhas oscilações,
Estudo, luto, esforço, educo.
A insônia parece querer se aproximar,
Nada de irritação. Preciso me manter firme.
Pena que as pessoas e o mundo não contribuem para esse meu esforço. rs.
Cabeça grande? Mãos dormentes? Estranhezas?
Nenhuma novidade né....
Insegura, mas firme!
sábado, 21 de julho de 2012
Dificuldades que todos enfrentam no diagnóstico
Por que o transtorno bipolar é muitas vezes tão difícil de ser diagnósticado?
Por que é tão comum ver casos de pessoas que passaram por vários médicos, vários medicamentos, vários anos até conseguirem de fato o correto diagnóstico?
A psiquiatria é uma parte muito delicada da medicina, lidamos com o que há de mais íntimo e subjetivo nas pessoas: os sentimentos.
Um bipolar tipo I, com sintomas muito clássicos de mania exarcerbada, que se veste de forma extravagante, roupa curta, salto alto, batom vermelho, maquiagem, jóias, apresentando um comportamento sedutor, falando pelos cotovelos sem ponto nem vírgula de maneira agitada, gastando muito dinheiro, tomando atitudes impulsivas e irresponsáveis até que não é tão difícil assim identificar, embora existam vários diagnósticos diferenciais também.
Mas o problema é que na maioria dos casos a crise não acontece ''bonitinha'' assim de forma tão clássica e fácil de perceber.
As hipomanias são mais leves, mais sutis, muitas vezes difícil até mesmo pra família perceber, quem dirá o médico que não conhece de fato a pessoa, não sabe como é o ''humor basal'' daquele paciente.
Por exemplo, uma pessoa que é mais tímida, a única alteração na hipomania pode ser estar um pouco mais sociável, um pouco mais comunicativa, extrovertida, alegre... e ninguém vai considerar isso como uma coisa negativa.
Outra coisa que venho percebendo é que na prática o que ocorre de fato na hipomania não é tanto a euforia, mas sim uma irritabilidade. Uma intolerância a coisas bobas, pequenas, a pessoa fica irritada e de difícil convívio e muitas vezes os próprios pacientes tem sim consciência disso.
Pacientes com transtorno bipolar muitas vezes são mais difíceis de lidar e manejar pq tem consciencia das suas alterações, são inteligentes, sabem que sem o devido acompanhamento e medicação vão ter crises depressivas mas vão ter também as crises de mania/hipomania e gostam de se sentir bem, costumam sentir falta do tratamento apenas nas crises de depressão e tristeza, por isso é comum sumirem, não acompanharem de forma regular e adequada.
Ok pessoal, me identifiquei em vários pontos aqui no texto e espero que possa servir para alguém também,
Abraços.
Por que é tão comum ver casos de pessoas que passaram por vários médicos, vários medicamentos, vários anos até conseguirem de fato o correto diagnóstico?
A psiquiatria é uma parte muito delicada da medicina, lidamos com o que há de mais íntimo e subjetivo nas pessoas: os sentimentos.
Um bipolar tipo I, com sintomas muito clássicos de mania exarcerbada, que se veste de forma extravagante, roupa curta, salto alto, batom vermelho, maquiagem, jóias, apresentando um comportamento sedutor, falando pelos cotovelos sem ponto nem vírgula de maneira agitada, gastando muito dinheiro, tomando atitudes impulsivas e irresponsáveis até que não é tão difícil assim identificar, embora existam vários diagnósticos diferenciais também.
Mas o problema é que na maioria dos casos a crise não acontece ''bonitinha'' assim de forma tão clássica e fácil de perceber.
As hipomanias são mais leves, mais sutis, muitas vezes difícil até mesmo pra família perceber, quem dirá o médico que não conhece de fato a pessoa, não sabe como é o ''humor basal'' daquele paciente.
Por exemplo, uma pessoa que é mais tímida, a única alteração na hipomania pode ser estar um pouco mais sociável, um pouco mais comunicativa, extrovertida, alegre... e ninguém vai considerar isso como uma coisa negativa.
Outra coisa que venho percebendo é que na prática o que ocorre de fato na hipomania não é tanto a euforia, mas sim uma irritabilidade. Uma intolerância a coisas bobas, pequenas, a pessoa fica irritada e de difícil convívio e muitas vezes os próprios pacientes tem sim consciência disso.
Pacientes com transtorno bipolar muitas vezes são mais difíceis de lidar e manejar pq tem consciencia das suas alterações, são inteligentes, sabem que sem o devido acompanhamento e medicação vão ter crises depressivas mas vão ter também as crises de mania/hipomania e gostam de se sentir bem, costumam sentir falta do tratamento apenas nas crises de depressão e tristeza, por isso é comum sumirem, não acompanharem de forma regular e adequada.
Ok pessoal, me identifiquei em vários pontos aqui no texto e espero que possa servir para alguém também,
Abraços.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Novidades Bipolares
Bom dia leitores....
Ontem tive aula sobre atualizações do tratamento do transtorno bipolar, e acredito que seja do interesse de vcs também.
Acho que o propósito do blog também seja este não é mesmo? Discutirmos aqui novidades, atualizações...
Então, no Brasil ainda tem essa tendência MUITO forte em considerar o lítio o melhor estabilizador de humor e ser a primeira escolha e os valproatos como segunda opção nas literaturas. Mas no exterior isso já vem mudando, se invertendo.
O lítio é uma droga que demora um certo tempo para ter ação (cerca de 7 dias), necessita de estar sendo sempre monitorada seu nível sérico (muitas vezes os pacientes e nem médicos não tem muita paciencia pra ficar fazendo exames de sangue constantemente), possui muitos efeitos colaterais (essa parte é bastante individual, eu por exemplo tolerei facilmente) mas grande parte das pessoas não conseguem tolerar. E o nível terapêutico é muito próximo do nível tóxico.
Já o Depakote tem seu início de ação imediato, conseguindo uma estabilização muito mais rápida, podendo já ser iniciado em dose mais alta sem a necessidade de monitorar seu nível sérico por exame de sangue. Possui menos efeitos colaterais, as pessoas costumam tolerar mais do que o lítio.
Outra novidade (pelo menos para mim) é a Lamotrigina, que é bastante eficaz no bipolar tipo II, aquele paciente que cursa mais com episódios depressivos do que com euforia/mania.
A Carbamazepina é bastante interessante para aqueles pacientes que não conseguem controlar seus impulsos de agressividade.
Atualmente nas literaturas mais recentes, alguns antipsicóticos são considerados também como estabilizadores de humor e por isso uma combinação que me chamou bastante atenção foi o topiramato + a quetiapina. Sabemos que o topiramato embora seja um estabilizador de humor, ele utilizado de forma isolada no transtorno bipolar não é muito efetivo, porém ele tem uma ótima ação na compulsão. A Compulsão está bastante presente nestes pacientes.... seja compulsão por álcool, comida, jogos, dinheiro, sexo, auto-mutilação...... então me pareceu uma combinação bastante interessante essas últimas drogas.
Espero com este texto abrir um pouco a mente de vcs leitores, sejam médicos, pacientes, familiares... para que possam questionar, perguntar, estudar e buscar sempre melhores opções de tratamento.
Um grande abraço.
Ontem tive aula sobre atualizações do tratamento do transtorno bipolar, e acredito que seja do interesse de vcs também.
Acho que o propósito do blog também seja este não é mesmo? Discutirmos aqui novidades, atualizações...
Então, no Brasil ainda tem essa tendência MUITO forte em considerar o lítio o melhor estabilizador de humor e ser a primeira escolha e os valproatos como segunda opção nas literaturas. Mas no exterior isso já vem mudando, se invertendo.
O lítio é uma droga que demora um certo tempo para ter ação (cerca de 7 dias), necessita de estar sendo sempre monitorada seu nível sérico (muitas vezes os pacientes e nem médicos não tem muita paciencia pra ficar fazendo exames de sangue constantemente), possui muitos efeitos colaterais (essa parte é bastante individual, eu por exemplo tolerei facilmente) mas grande parte das pessoas não conseguem tolerar. E o nível terapêutico é muito próximo do nível tóxico.
Já o Depakote tem seu início de ação imediato, conseguindo uma estabilização muito mais rápida, podendo já ser iniciado em dose mais alta sem a necessidade de monitorar seu nível sérico por exame de sangue. Possui menos efeitos colaterais, as pessoas costumam tolerar mais do que o lítio.
Outra novidade (pelo menos para mim) é a Lamotrigina, que é bastante eficaz no bipolar tipo II, aquele paciente que cursa mais com episódios depressivos do que com euforia/mania.
A Carbamazepina é bastante interessante para aqueles pacientes que não conseguem controlar seus impulsos de agressividade.
Atualmente nas literaturas mais recentes, alguns antipsicóticos são considerados também como estabilizadores de humor e por isso uma combinação que me chamou bastante atenção foi o topiramato + a quetiapina. Sabemos que o topiramato embora seja um estabilizador de humor, ele utilizado de forma isolada no transtorno bipolar não é muito efetivo, porém ele tem uma ótima ação na compulsão. A Compulsão está bastante presente nestes pacientes.... seja compulsão por álcool, comida, jogos, dinheiro, sexo, auto-mutilação...... então me pareceu uma combinação bastante interessante essas últimas drogas.
Espero com este texto abrir um pouco a mente de vcs leitores, sejam médicos, pacientes, familiares... para que possam questionar, perguntar, estudar e buscar sempre melhores opções de tratamento.
Um grande abraço.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Sem culpas...
Eu não vou mais me entupir e adoecer na culpa!
Não, nem sempre a culpada pode ser eu! Não teria sentido se fosse assim...
Percebi que as pessoas gostam sempre de ter alguma coisa pra colocar a culpa, responsabilizarem.... Mas no fundo isso é só transferência.. É muito mais fácil enxergar o defeito no outro, culpar o outro.
Erro sim, já paguei muito caro por certas atitudes, pelo transtorno bipolar, por mil coisas. Mas não sou tão diferente assim das pessoas não. Tenho uma doença que em certos momentos pode até me trazer mais dificuldades, mas cada um tem a sua dor também, cada um tem sua fraqueza......
O que vale é minha consciência tranquila, de tentar ser sempre verdadeira, de não desejar mal a ninguém, de buscar querer ser melhor.
Existem pessoas SEM CARÁTER que gostam de criticar minha vida, querer advinhar o que ando fazendo ou deixando de fazer com a única intenção de querer me destruir.
Tenho PENA, e peço muito a Deus por essas criaturas que infelizmente encontram prazer desejando mal ao próximo.
Deus conhece cada um de nós e cada uma de nossas intenções e se tem uma coisa de que eu posso me orgulhar é de ter a consciência tranquila. Isso não tem preço. De ter amor aqui dentro, nunca desejar vingança ou mal a nenhum ser vivo.
Ter vontade de querer distância dessas pessoas é perfeitamente normal, só elas mesmas que não desconfiam do quão inconvenientes são, e que a cada dia que se passa se tornam mais indesejáveis e ridículas e a vontade de querer ficar longe só aumenta mais e mais.
Isso não é questão de ter uma doença/transtorno ou não, isso é questão de caráter, de personalidade, de amor.
Não vou me culpar...
Antes ser bipolar do que não ter amor!!!
Antes ser bipolar e conseguir ter minha vida com cada conquista que EU lutei pra ter do que ficar se escondendo atras das dificuldades e culpando a vida!!!
Antes ser bipolar do que ser alguém que as pessoas querem distância!!!
Antes ser EU MESMA, com todas as dificuldades, defeitos e tortuosidades, mas ser EU MESMA!!!
Leitores queridos, vamos aprender a nos livrar da culpa.... não podemos deixar que esse taxamentos sociais de transtorno mental faça com que sejamos inferiores.... pq tem muita gente por aí que se diz ''sadia'' que está numa situação muito, mas MUITO pior!!
PAZ E BEM A TODOS!!!!!
Não, nem sempre a culpada pode ser eu! Não teria sentido se fosse assim...
Percebi que as pessoas gostam sempre de ter alguma coisa pra colocar a culpa, responsabilizarem.... Mas no fundo isso é só transferência.. É muito mais fácil enxergar o defeito no outro, culpar o outro.
Erro sim, já paguei muito caro por certas atitudes, pelo transtorno bipolar, por mil coisas. Mas não sou tão diferente assim das pessoas não. Tenho uma doença que em certos momentos pode até me trazer mais dificuldades, mas cada um tem a sua dor também, cada um tem sua fraqueza......
O que vale é minha consciência tranquila, de tentar ser sempre verdadeira, de não desejar mal a ninguém, de buscar querer ser melhor.
Existem pessoas SEM CARÁTER que gostam de criticar minha vida, querer advinhar o que ando fazendo ou deixando de fazer com a única intenção de querer me destruir.
Tenho PENA, e peço muito a Deus por essas criaturas que infelizmente encontram prazer desejando mal ao próximo.
Deus conhece cada um de nós e cada uma de nossas intenções e se tem uma coisa de que eu posso me orgulhar é de ter a consciência tranquila. Isso não tem preço. De ter amor aqui dentro, nunca desejar vingança ou mal a nenhum ser vivo.
Ter vontade de querer distância dessas pessoas é perfeitamente normal, só elas mesmas que não desconfiam do quão inconvenientes são, e que a cada dia que se passa se tornam mais indesejáveis e ridículas e a vontade de querer ficar longe só aumenta mais e mais.
Isso não é questão de ter uma doença/transtorno ou não, isso é questão de caráter, de personalidade, de amor.
Não vou me culpar...
Antes ser bipolar do que não ter amor!!!
Antes ser bipolar e conseguir ter minha vida com cada conquista que EU lutei pra ter do que ficar se escondendo atras das dificuldades e culpando a vida!!!
Antes ser bipolar do que ser alguém que as pessoas querem distância!!!
Antes ser EU MESMA, com todas as dificuldades, defeitos e tortuosidades, mas ser EU MESMA!!!
Leitores queridos, vamos aprender a nos livrar da culpa.... não podemos deixar que esse taxamentos sociais de transtorno mental faça com que sejamos inferiores.... pq tem muita gente por aí que se diz ''sadia'' que está numa situação muito, mas MUITO pior!!
PAZ E BEM A TODOS!!!!!
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Insegurança....
A verdade é que qualquer coisa que vc faça, SEMPRE vai ter alguém pra criticar...
Se vc quer lutar, melhorar, ou simplesmente desabafar sobre seus momentos difíceis da vida, vai ter pessoas pra dizer que vc só quer aparecer e quer ser exemplo de vida.
Se vc se cansa, ou simplesmente está mais introspectiva, vai ter pessoas pra dizer que vc não quer buscar ajuda, não quer melhorar, que não quer nada com a vida e é culpada por estar assim.
Foda-se cada um deles.... pq se estivessem cuidando deles mesmos não teriam tempo nem disposição pra querer julgar minha vida.
Tem gente que precisa de espelho em casa, acho que é isso.
Ontem estudei Transtorno Bipolar para uma discussão com uma psiquiatra na faculdade e foi bastante legal, mas ao mesmo tempo me causou bastante insegurança...
Discutimos certas condutas, certos tratamentos e tive medo por não estar usando mais o lítio que é o melhor de todos os estabilizadores de humor e que além de tratar serve para previnir crises. O Lítio é uma droga de certa forma segura e não vi nenhum motivo grave além do medo da minha médica para eu não usar.
Discutimos também sobre os antidepressivos, o pq que não devem ser utilizados, somente em alguns casos e com muita cautela, e percebi que tem uma certa tendência de alguns psiquiatras estarem utilizando a desvenlafaxina no transtorno bipolar pq teoricamente ela não causa ''virada de depressão pra mania" foi exatamente o que a minha médica fez comigo, mas estudando eu vi que não é muito legal e não deve ser feito.
Ótimo, eu já tinha parado por conta própria mesmo.....
Espero que eu não surte neste estágio.........
Abraços.
Se vc quer lutar, melhorar, ou simplesmente desabafar sobre seus momentos difíceis da vida, vai ter pessoas pra dizer que vc só quer aparecer e quer ser exemplo de vida.
Se vc se cansa, ou simplesmente está mais introspectiva, vai ter pessoas pra dizer que vc não quer buscar ajuda, não quer melhorar, que não quer nada com a vida e é culpada por estar assim.
Foda-se cada um deles.... pq se estivessem cuidando deles mesmos não teriam tempo nem disposição pra querer julgar minha vida.
Tem gente que precisa de espelho em casa, acho que é isso.
Ontem estudei Transtorno Bipolar para uma discussão com uma psiquiatra na faculdade e foi bastante legal, mas ao mesmo tempo me causou bastante insegurança...
Discutimos certas condutas, certos tratamentos e tive medo por não estar usando mais o lítio que é o melhor de todos os estabilizadores de humor e que além de tratar serve para previnir crises. O Lítio é uma droga de certa forma segura e não vi nenhum motivo grave além do medo da minha médica para eu não usar.
Discutimos também sobre os antidepressivos, o pq que não devem ser utilizados, somente em alguns casos e com muita cautela, e percebi que tem uma certa tendência de alguns psiquiatras estarem utilizando a desvenlafaxina no transtorno bipolar pq teoricamente ela não causa ''virada de depressão pra mania" foi exatamente o que a minha médica fez comigo, mas estudando eu vi que não é muito legal e não deve ser feito.
Ótimo, eu já tinha parado por conta própria mesmo.....
Espero que eu não surte neste estágio.........
Abraços.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Aniversário
Esta semana é meu aniversário, tenho muito o que comemorar, apesar de ter sido um ano de
depressões profundas, eu consegui uma certa estabilidade...
Consegui ficar pouco mais de 6 meses bem sem nenhuma medicação. Consegui resolver certos pontos importantes na vida. Fiz novos amigos, consegui voltar a sair um pouco...
As estranhezas ainda permanecem, mas amanheci feliz e estou feliz, mais um ano se passou, mesmo contudo foi um ano produtivo, venci etapas, e agora estou cada dia mais próxima do sonho da formatura.
Foi mais um ano na minha vida, mais um ano em que sobrevivi e desta vez posso dizer que foi além de sobreviver, foi viver, aprender, evoluir.
Farei o melhor que puder e peço a Deus que esse novo ano astral de minha vida seja abençoado, que eu consiga realizações e principalmente estabilidade para que minha vida realmente seja melhor e que eu possa também fazer feliz as pessoas que me apoiam e convivem comigo.
Consegui ficar pouco mais de 6 meses bem sem nenhuma medicação. Consegui resolver certos pontos importantes na vida. Fiz novos amigos, consegui voltar a sair um pouco...
As estranhezas ainda permanecem, mas amanheci feliz e estou feliz, mais um ano se passou, mesmo contudo foi um ano produtivo, venci etapas, e agora estou cada dia mais próxima do sonho da formatura.
Foi mais um ano na minha vida, mais um ano em que sobrevivi e desta vez posso dizer que foi além de sobreviver, foi viver, aprender, evoluir.
Farei o melhor que puder e peço a Deus que esse novo ano astral de minha vida seja abençoado, que eu consiga realizações e principalmente estabilidade para que minha vida realmente seja melhor e que eu possa também fazer feliz as pessoas que me apoiam e convivem comigo.
Carencias à parte, PARABÉNS para mim! rs
E que meus 25 anos sirvam para que eu acumule coragem de sempre seguir, de sempre tentar fazer melhor. Amém.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Indecisões...
É... tá chegando a hora de decidir qual especialização seguir...
Estou fazendo o medcurso (uma espécie de cursinho preparatório para as provas de residência) e me peguei pensando -pra que tô fazendo isso se nem sei o que quero fazer?
Sempre gostei muito de psiquiatria, endocrinologia, reumatologia, cirurgia, geriatria, gastroenterologia, nefrologia, medicina intensiva..... e agora?
Algumas eu preciso excluir por questão de qualidade de vida. Não quero me matar de tanto trabalhar! Não tenho essas ambições. Quero ter família, viajar, viver.
Na última sessão de terapia, a minha psiquiatra questionou o pq da psiquiatria ser uma das minhas opções. Ela tá implicada achando que quero fazer para me entender, ou me tratar, ou algo do tipo....
Eu respondo que é uma área interessante e que tem uma carência muito grande de bons profissionais e que um tratamento pode mudar completamente a vida de uma pessoa.
Assim como eu me beneficiei bastante, gostaria de poder oferecer isso também as pessoas que sofrem com problemas da saúde mental.
Sem contar que o espiritismo poderia ser um grande aliado meu e ser um grande diferencial.
Mas ao mesmo tempo não sei se eu tenho estrutura pra lidar com isso, com sofrimento o tempo todo, não saberia dizer se eu suportaria essa rotina. Semana que vem começará meu internato em saúde mental e acredito que terei uma noção melhor da prática.
Mesmo que eu justifique tudo isso pra minha médica, ela parece não acreditar, e fica querendo analisar cada palavra minha, querendo saber o que tem por tras de tudo.
Nem sempre as coisas tem um motivo, ou algo oculto... muitas vezes aquilo que a gente fala é simplesmente aquilo ali e ponto final.
To cansada e implicada. Chega dessa coisa de estar sempre sendo analisada e julgada.
Já tem 15 dias que não vou na terapia. E tá bom assim.
Estou fazendo o medcurso (uma espécie de cursinho preparatório para as provas de residência) e me peguei pensando -pra que tô fazendo isso se nem sei o que quero fazer?
Sempre gostei muito de psiquiatria, endocrinologia, reumatologia, cirurgia, geriatria, gastroenterologia, nefrologia, medicina intensiva..... e agora?
Algumas eu preciso excluir por questão de qualidade de vida. Não quero me matar de tanto trabalhar! Não tenho essas ambições. Quero ter família, viajar, viver.
Na última sessão de terapia, a minha psiquiatra questionou o pq da psiquiatria ser uma das minhas opções. Ela tá implicada achando que quero fazer para me entender, ou me tratar, ou algo do tipo....
Eu respondo que é uma área interessante e que tem uma carência muito grande de bons profissionais e que um tratamento pode mudar completamente a vida de uma pessoa.
Assim como eu me beneficiei bastante, gostaria de poder oferecer isso também as pessoas que sofrem com problemas da saúde mental.
Sem contar que o espiritismo poderia ser um grande aliado meu e ser um grande diferencial.
Mas ao mesmo tempo não sei se eu tenho estrutura pra lidar com isso, com sofrimento o tempo todo, não saberia dizer se eu suportaria essa rotina. Semana que vem começará meu internato em saúde mental e acredito que terei uma noção melhor da prática.
Mesmo que eu justifique tudo isso pra minha médica, ela parece não acreditar, e fica querendo analisar cada palavra minha, querendo saber o que tem por tras de tudo.
Nem sempre as coisas tem um motivo, ou algo oculto... muitas vezes aquilo que a gente fala é simplesmente aquilo ali e ponto final.
To cansada e implicada. Chega dessa coisa de estar sempre sendo analisada e julgada.
Já tem 15 dias que não vou na terapia. E tá bom assim.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Consequências...
Sabe.. apesar de tudo eu sempre evitei me enxergar como vítima dessa doença. Ou de qualquer outra situação. Pra mim não existem vítimas e sim escolhas e consequências.
Se fazer de coitado não comove, irrita!
Pelo contrário... tenho até um certo orgulho afinal de contas mesmo diante todas essas dificuldades eu dei conta da vida.
Certos dias, eu mal conseguia sair da cama por causa dos remédios, mas nunca faltei nenhum estágio, nunca me atrasei, nunca fui reprovada. Senti preconceito, medo das pessoas, muitas vezes fui incompreendida, tive meu caráter questionado... mas lutei, persisti e hoje estou no último semestre do meu curso.
Quase 7 anos utilizando essas medicações não há realmente organismo que aguente sem nenhuma consequência...
Ano passado descobri um nódulo grande na minha tireóide, e um exame dos rins deu uma pequena alteração... O Lítio causa distúrbios da tireóide e rins e por mais cuidado que minha médica tinha de sempre pedir exames, me monitorar aconteceu...
O antipsicótico com mais tempo de uso altera o metabolismo, aumenta os níveis de colesterol, trigicérides e glicose do sangue... foi o que aconteceu comigo também. Atingi um triglicérides acima de 680 que não reduziu nem com dieta, nem com atividade física, nem com o fibrato (medicação pra reduzir os niveis de triglicerides).
Então a única decisão que restou para a minha médica foi suspender as duas medicaçoes, de forma bastante lenta e gradual e eu concordei, afinal estava me sentindo bem e com condições de me manter equilibrada...
Assim foi... fiquei mais de 6 meses sem nenhuma medicação, me mantive bem, os exames normalizaram, consegui emagrecer mais um pouco... estava satisfeita.
Mas infelizmente eu percebi que realmente é muito arriscado ficar sem medicação e acabei caindo numa crise de depressão bastante forte. Procurei a homeopatia pra tentar me estabilizar, me pareceu interessante.... mas infelizmente não funcionou.
Comecei a pensar em auto mutilação e suicidio de novo. Não existe autocontrole nesta doença... vc simplesmente não comanda suas oscilações e então eu resolvi pedir ajuda a minha psiquiatra.
Ela preocupada, achou melhor introduzir alguma medicação, já tinha me alertado sobre essa possibilidade desde quando ela resolveu suspender tudo.
Ela me perguntou sobre qual remédio foi melhor pra mim durante todos esses anos, eu disse que o Lítio, ela também concordou, mas disse que não se sentia segura em me receitar o lítio novamente, pois mesmo com os exames normais, eu ainda estava com aquele nódulo na tireóide.
Era um nódulo benigno, eu fiz biópsia, estava em acompanhamento com ultrassom, e em momento nenhum meus hormônios tireoideanos chegaram a alterar, portanto não seria contra-indicado eu voltar a usar o Lítio, mas respeitei sua insegurança.
Como os sintomas de depressão estavam bastante intensos ela me receitou então a desvenlafaxina, um antidepressivo.
Tudo bem, me calei, estava mesmo apática e passiva e comecei a tomar conforme orientado...
Com 20 dias comecei apresentar uma melhora considerável, mas logo me senti muito ansiosa, agitada... inquieta...
Isso sempre acontecia quando eu tomava antidepressivos. Daí questionei mais ainda a conduta da minha médica... Se ela estava insegura quanto ao lítio, tudo bem, mas poderia ter tentado outro estabilizador de humor por exemplo. Sei pelos meus estudos que antidepressivos não são muito indicados para transtorno bipolar.
Tentei questioná-la, que logo se irritou... a psiquiatria na prática é bem diferente da teoria e até hoje eu não concordo muito com essa história de o que importa é o sintoma e tratar o sintoma, na minha ignorância médica acho que o ideal seria tratar a doença como um todo... mas quem sou eu pra questionar?
Se fazer de coitado não comove, irrita!
Pelo contrário... tenho até um certo orgulho afinal de contas mesmo diante todas essas dificuldades eu dei conta da vida.
Certos dias, eu mal conseguia sair da cama por causa dos remédios, mas nunca faltei nenhum estágio, nunca me atrasei, nunca fui reprovada. Senti preconceito, medo das pessoas, muitas vezes fui incompreendida, tive meu caráter questionado... mas lutei, persisti e hoje estou no último semestre do meu curso.
Quase 7 anos utilizando essas medicações não há realmente organismo que aguente sem nenhuma consequência...
Ano passado descobri um nódulo grande na minha tireóide, e um exame dos rins deu uma pequena alteração... O Lítio causa distúrbios da tireóide e rins e por mais cuidado que minha médica tinha de sempre pedir exames, me monitorar aconteceu...
O antipsicótico com mais tempo de uso altera o metabolismo, aumenta os níveis de colesterol, trigicérides e glicose do sangue... foi o que aconteceu comigo também. Atingi um triglicérides acima de 680 que não reduziu nem com dieta, nem com atividade física, nem com o fibrato (medicação pra reduzir os niveis de triglicerides).
Então a única decisão que restou para a minha médica foi suspender as duas medicaçoes, de forma bastante lenta e gradual e eu concordei, afinal estava me sentindo bem e com condições de me manter equilibrada...
Assim foi... fiquei mais de 6 meses sem nenhuma medicação, me mantive bem, os exames normalizaram, consegui emagrecer mais um pouco... estava satisfeita.
Mas infelizmente eu percebi que realmente é muito arriscado ficar sem medicação e acabei caindo numa crise de depressão bastante forte. Procurei a homeopatia pra tentar me estabilizar, me pareceu interessante.... mas infelizmente não funcionou.
Comecei a pensar em auto mutilação e suicidio de novo. Não existe autocontrole nesta doença... vc simplesmente não comanda suas oscilações e então eu resolvi pedir ajuda a minha psiquiatra.
Ela preocupada, achou melhor introduzir alguma medicação, já tinha me alertado sobre essa possibilidade desde quando ela resolveu suspender tudo.
Ela me perguntou sobre qual remédio foi melhor pra mim durante todos esses anos, eu disse que o Lítio, ela também concordou, mas disse que não se sentia segura em me receitar o lítio novamente, pois mesmo com os exames normais, eu ainda estava com aquele nódulo na tireóide.
Era um nódulo benigno, eu fiz biópsia, estava em acompanhamento com ultrassom, e em momento nenhum meus hormônios tireoideanos chegaram a alterar, portanto não seria contra-indicado eu voltar a usar o Lítio, mas respeitei sua insegurança.
Como os sintomas de depressão estavam bastante intensos ela me receitou então a desvenlafaxina, um antidepressivo.
Tudo bem, me calei, estava mesmo apática e passiva e comecei a tomar conforme orientado...
Com 20 dias comecei apresentar uma melhora considerável, mas logo me senti muito ansiosa, agitada... inquieta...
Isso sempre acontecia quando eu tomava antidepressivos. Daí questionei mais ainda a conduta da minha médica... Se ela estava insegura quanto ao lítio, tudo bem, mas poderia ter tentado outro estabilizador de humor por exemplo. Sei pelos meus estudos que antidepressivos não são muito indicados para transtorno bipolar.
Tentei questioná-la, que logo se irritou... a psiquiatria na prática é bem diferente da teoria e até hoje eu não concordo muito com essa história de o que importa é o sintoma e tratar o sintoma, na minha ignorância médica acho que o ideal seria tratar a doença como um todo... mas quem sou eu pra questionar?
domingo, 1 de julho de 2012
Questionamentos...
Chegou o módulo de psiquiatria na faculdade... Estudar aqueles transtornos todos não foi nada fácil.
Me identificava com muitos deles. Comecei a me perguntar pq minha médica nunca havia me dado um diagnóstico.
Comcei então a questionar muito sobre isso com ela. Ela sempre insistia que diagnósticos não são importantes, servem só para rotular e que o importante é estabilizar os sintomas.
Não concordava com aquilo. Toda doença só é possível ser tratada após ser diagnosticada e comecei a ficar insegura.
Acho que muitas vezes fui chata com ela, insisti nisso e senti que ela as vezes ficava impaciente também.
Mas era meu direito querer saber tudo, ainda mais agora eu já estava no 6º período, metade da faculdade de medicina... não era mais uma leiga, e eu queria muito que ela entendesse isso, que eu não era como os outros pacientes dela em que ela pensava sozinha e falava as coisas sem entrar muito a fundo.
Queria um diagnóstico, queria saber cientificamente e medicamente sobre o que acontecia comigo. Sentia muitas vezes ela irritada, impaciente com meus questionamentos... dai um dia falou sobre transtorno bipolar.
Se ela soubesse o alívio daquilo, ela já teria dito antes... eu me diagnosticava em mil coisas, até mesmo esquizofrenia as vezes.
Estudei a fundo transtorno bipolar, vi todos seus tipos, variações, tratamentos.
Me sentia mais confortável agora, mas mesmo assim gostaria muito que ela me desse mais liberdade pra conversar sobre os tratamentos, estudos recentes, de médica pra uma pessoa não leiga.
Essas implicâncias foram crescendo... e eu perdi a vontade de ir lá. Comecei a questionar pois de acordo com os meus estudos, uma pessoa com transtorno bipolar que está em tratamento e acompanhamento ha anos atinge uma certa estabilidade, não tem tantas recaídas como eu tinha não. Apresentava em média umas 4 recaídas por semestre e de acordo com meus estudos aquilo não deveria acontecer. E eu não tinha espaço pra discutir isso com ela, então resolvi dar um tempo. Continuei com as medicaçoes, mas não ia mais fazer a terapia.
Resolvi aceitar que eu teria que conviver com tudo isso mesmo. Cheguei a procurar outras opiniões de outros psiquiatras que achavam que minha medicação estava com dose muito baixa, sugeriram eu dobrar tudo. Mas eu não conseguia viver com a sonolência e todos aqueles efeitos robóticos...
Então comecei a perceber que no fundo a minha psiquiatra só queria tentar me deixar ''bem'' com a menor dosagem possível pra eu dar conta de tudo.
Infelizmente eu também não tinha liberdade pra conversar com ela sobre tudo o que eu sentia. Ainda trazia comigo o trauma de terem tentando me internar, e certamente se eu falasse sobre aquelas esquisitices, ela tentaria me dopar de novo ou ate mesmo internar.
Eu podia me abrir com o pessoal do centro espírita, mas não fazia muita diferença também. só me orientavam tomar passes.
Infelizmente a psiquiatria na minha cidade é muito primitiva, e não tem nenhum psiquiatra-espírita.
Então o jeito era eu me virar com o que tinha mesmo...
Me identificava com muitos deles. Comecei a me perguntar pq minha médica nunca havia me dado um diagnóstico.
Comcei então a questionar muito sobre isso com ela. Ela sempre insistia que diagnósticos não são importantes, servem só para rotular e que o importante é estabilizar os sintomas.
Não concordava com aquilo. Toda doença só é possível ser tratada após ser diagnosticada e comecei a ficar insegura.
Acho que muitas vezes fui chata com ela, insisti nisso e senti que ela as vezes ficava impaciente também.
Mas era meu direito querer saber tudo, ainda mais agora eu já estava no 6º período, metade da faculdade de medicina... não era mais uma leiga, e eu queria muito que ela entendesse isso, que eu não era como os outros pacientes dela em que ela pensava sozinha e falava as coisas sem entrar muito a fundo.
Queria um diagnóstico, queria saber cientificamente e medicamente sobre o que acontecia comigo. Sentia muitas vezes ela irritada, impaciente com meus questionamentos... dai um dia falou sobre transtorno bipolar.
Se ela soubesse o alívio daquilo, ela já teria dito antes... eu me diagnosticava em mil coisas, até mesmo esquizofrenia as vezes.
Estudei a fundo transtorno bipolar, vi todos seus tipos, variações, tratamentos.
Me sentia mais confortável agora, mas mesmo assim gostaria muito que ela me desse mais liberdade pra conversar sobre os tratamentos, estudos recentes, de médica pra uma pessoa não leiga.
Essas implicâncias foram crescendo... e eu perdi a vontade de ir lá. Comecei a questionar pois de acordo com os meus estudos, uma pessoa com transtorno bipolar que está em tratamento e acompanhamento ha anos atinge uma certa estabilidade, não tem tantas recaídas como eu tinha não. Apresentava em média umas 4 recaídas por semestre e de acordo com meus estudos aquilo não deveria acontecer. E eu não tinha espaço pra discutir isso com ela, então resolvi dar um tempo. Continuei com as medicaçoes, mas não ia mais fazer a terapia.
Resolvi aceitar que eu teria que conviver com tudo isso mesmo. Cheguei a procurar outras opiniões de outros psiquiatras que achavam que minha medicação estava com dose muito baixa, sugeriram eu dobrar tudo. Mas eu não conseguia viver com a sonolência e todos aqueles efeitos robóticos...
Então comecei a perceber que no fundo a minha psiquiatra só queria tentar me deixar ''bem'' com a menor dosagem possível pra eu dar conta de tudo.
Infelizmente eu também não tinha liberdade pra conversar com ela sobre tudo o que eu sentia. Ainda trazia comigo o trauma de terem tentando me internar, e certamente se eu falasse sobre aquelas esquisitices, ela tentaria me dopar de novo ou ate mesmo internar.
Eu podia me abrir com o pessoal do centro espírita, mas não fazia muita diferença também. só me orientavam tomar passes.
Infelizmente a psiquiatria na minha cidade é muito primitiva, e não tem nenhum psiquiatra-espírita.
Então o jeito era eu me virar com o que tinha mesmo...
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Enfim a estabilidade!
Eu estava indo muito bem, consegui uma certa estabilidade com os remédios, com a terapia e também com o espiritismo.
Aos poucos a psiquiatra foi reduzindo minha medicação e incrivelmente eu me mantive bem.
Passei praticamente um ano tomando apenas meio comprimido de lítio e sem a olamzapina. Consegui perder um pouco de peso, não me sentia mais sonolenta, me sentia uma pessoa ''normal'' novamente. Conquistei grandes amizades na faculdade e já estava mais adaptada ao método de ensino.
Mas parece que realmente a vida adora nos testar... Quando tudo parece dar certo, começa a dar errado.
Comecei a ter sensações estranhas, parecia estar acompanhada, parecia que eu estava longe, distante do meu corpo...
Me olhava no espelho e não me reconhecia, mesmo tendo a certeza de que era eu quem estava ali.
Minhas percepções pareciam estar 1.000 aumentada. A luz normal parecia muito intensa, como um holofote. Os sons por mais discretos que fossem me incomodavam muito, como se estivessem dentro do meu tímpano.
As cores eram muito mais intensas também, e tão atrativas que se eu fixasse muito o olhar, elas pareciam se movimentar.
Agora eu tinha certeza de estar enlouquecendo de vez.... Sem falar na inquietação, movimentação excessiva, ficava andando pela casa em circulos e falando sem parar, apenas por falar, emendando um assunto no outro sem ninguém entender nada.
Sem resposta com o aumento do lítio, a psiquiatra resolveu tentar agora um antipsicótico diferente, que teoricamente causava menor sedação e menor ganho de peso, e também pq a olanzapina era muito cara na época então era necessário preencher vários formulários para conseguir pegar gratuitamente pela secretaria de saúde.
Me receitou a Ziprazidona 40mg.. Que não fez efeito nenhum em mim nem de longe... e eu precisava fazer aquilo parar, precisava de concentraçao pra estudar, precisava dormir.
Ela então foi aumentando gradualmente a dosagem, até a máxima permitida, e sem resultado optou por trocar pela risperidona.
No 4º dia de uso, os sintomas estavam cada vez mais insuportáveis e tive uma crise terrível que eu só conseguia ficar deitada na cama, quarto totalmente escuro e silencioso e mesmo assim tinha uma dor de cabeça terrível, visão turva e dupla, sensação de desmaio, náuseas e a sensação de estar saindo do meu corpo, de estar enlouquecendo. No período da noite isso tudo piorava mais ainda.
Uma amiga do centro espírita e chefe do departamento mediunico me buscava em casa todos os dias para receber passes e água fluidificada.
Até que a coisa perdeu o controle e eu não conseguia mais sair do quarto, e tinha agora espasmos involuntários em uma das pernas. Minha mãe preocupada telefonou pro meu tio neurologista/neurocirurgião que sugeriu que eu fizesse uma ressonância magnética do cérebro com urgência. O exame veio completamente normal. Fui arrastada, carregada até a psiquiatra, que solicitou vários exames de sangue em busca de alterações ou toxicidade das medicações, mas estava tudo normal.
Foi quando ela resolveu tentar mais uma droga, desta vez a quetiapina.
Eu já poderia ter desistido de tudo há muito tempo, mas ainda bem que insisti, pois com a quetiapina consegui recuperar aos poucos minha estabilidade novamente.
Aos poucos a psiquiatra foi reduzindo minha medicação e incrivelmente eu me mantive bem.
Passei praticamente um ano tomando apenas meio comprimido de lítio e sem a olamzapina. Consegui perder um pouco de peso, não me sentia mais sonolenta, me sentia uma pessoa ''normal'' novamente. Conquistei grandes amizades na faculdade e já estava mais adaptada ao método de ensino.
Mas parece que realmente a vida adora nos testar... Quando tudo parece dar certo, começa a dar errado.
Comecei a ter sensações estranhas, parecia estar acompanhada, parecia que eu estava longe, distante do meu corpo...
Me olhava no espelho e não me reconhecia, mesmo tendo a certeza de que era eu quem estava ali.
Minhas percepções pareciam estar 1.000 aumentada. A luz normal parecia muito intensa, como um holofote. Os sons por mais discretos que fossem me incomodavam muito, como se estivessem dentro do meu tímpano.
As cores eram muito mais intensas também, e tão atrativas que se eu fixasse muito o olhar, elas pareciam se movimentar.
Agora eu tinha certeza de estar enlouquecendo de vez.... Sem falar na inquietação, movimentação excessiva, ficava andando pela casa em circulos e falando sem parar, apenas por falar, emendando um assunto no outro sem ninguém entender nada.
Sem resposta com o aumento do lítio, a psiquiatra resolveu tentar agora um antipsicótico diferente, que teoricamente causava menor sedação e menor ganho de peso, e também pq a olanzapina era muito cara na época então era necessário preencher vários formulários para conseguir pegar gratuitamente pela secretaria de saúde.
Me receitou a Ziprazidona 40mg.. Que não fez efeito nenhum em mim nem de longe... e eu precisava fazer aquilo parar, precisava de concentraçao pra estudar, precisava dormir.
Ela então foi aumentando gradualmente a dosagem, até a máxima permitida, e sem resultado optou por trocar pela risperidona.
No 4º dia de uso, os sintomas estavam cada vez mais insuportáveis e tive uma crise terrível que eu só conseguia ficar deitada na cama, quarto totalmente escuro e silencioso e mesmo assim tinha uma dor de cabeça terrível, visão turva e dupla, sensação de desmaio, náuseas e a sensação de estar saindo do meu corpo, de estar enlouquecendo. No período da noite isso tudo piorava mais ainda.
Uma amiga do centro espírita e chefe do departamento mediunico me buscava em casa todos os dias para receber passes e água fluidificada.
Até que a coisa perdeu o controle e eu não conseguia mais sair do quarto, e tinha agora espasmos involuntários em uma das pernas. Minha mãe preocupada telefonou pro meu tio neurologista/neurocirurgião que sugeriu que eu fizesse uma ressonância magnética do cérebro com urgência. O exame veio completamente normal. Fui arrastada, carregada até a psiquiatra, que solicitou vários exames de sangue em busca de alterações ou toxicidade das medicações, mas estava tudo normal.
Foi quando ela resolveu tentar mais uma droga, desta vez a quetiapina.
Eu já poderia ter desistido de tudo há muito tempo, mas ainda bem que insisti, pois com a quetiapina consegui recuperar aos poucos minha estabilidade novamente.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
O Espiritismo...
Vou começar a abordar um assunto polêmico neste e nos próximos textos...
Tentarei falar sobre como cheguei ao espiritismo.
Quando
vc resolve buscar ajuda, uma das coisas que vc pensa é que precisa de
Deus no seu coração e vai na igreja.
Como já conheço bem o catolicismo, sou batizada, fiz primeira comunhão,
já sabia que isto não ia durar muito. Por curiosa que sempre fui, já
tinha lido o Livro dos Espíritos que minha mãe tinha em casa. Me pareceu
bem interessante e daí resolvi procurar uma casa espírita kardecista
que fosse bem conceituada aqui na minha cidade.
Chegando lá, fui extremamente bem recebida, ouvi as palavras do palestrante e me emocionei, aquilo
que ele falou era pra mim, Deus tocou no meu coração e eu caí no chão
em lágrimas.
Agora
eu tinha aceitado Jesus e era uma crente exemplar daquela que faz
testemunho de como Jesus e o espiritismo mudou minhavida.
Parei de beber, de sair, mudei minha vida... Passei a estudar a doutrina a fundo....
Participei
de grupos de estudos, me envolvi profundamente, quando percebi até
aulas de evangelização para as crianças eu estava dando..
Só
que com o tempo eu tenho essa mania de começar a ver erro em tudo,
passei a achar que o pessoal do centro espírita estava distante, que
deveria ter a oportunidade de maior acolhimento lá dentro, comecei a
implicar, achar que o frequentador do lado estava falando baboseira
demais e sendo hipócrita ao extremo.
Então vc pára de ir no centro e começa a falar pra todo mundo que é ateu. [queridos leitores, acho que já deu pra vcs perceberem minhas oscilações de um extremo a outro... de empolgação ao desânimo]
Quando chega em casa olha pro céu e questiona porque Deus fez aquilo
com vc, cai em lágrimas, percebe que a sua vida não tem sentido, não tem
razão , não tem porque passar por tudo isso, que esse mundo não foi feito
pra vc. E só encontra a resposta para todas essas perguntas no espiritismo, então volta acanhada em busca de ajuda..
Portanto
hj eu prefiro acreditar sim no espiritismo, pois é a única coisa que
'explica' e justifica as dores do mundo e da alma. Pena que a doutrina
anda tão separada da psiquiatria!
Estaria
ali a explicação das coisas que eu sempre quis tanto? Meus pais falam
sempre que desde criança eu era muito curiosa, questionadora, e a
pergunta que eu mais gostava de fazer era: Por que? Eram tantos porquês
que eles nunca conseguiam me convencer.
Alí eu estava tendo as respostas para os meus porquês...
Será
que tudo isso que está acontecendo na minha vida é por influenciação
espiritual? Teria como fazer um tratamento de desobcessão? Seria eu
médium?
Você é diferente...
No final do primeiro semestre, módulo de bioquímica, a coordenadora e tutora era bastante arrogante, por ser especialista ela queria ser superior. Infelizmente no curso de medicina tem muito dessas coisas durante todos os 6 anos.
Eu estava com dificuldades em me adaptar a este método, estudava muito, mas ao chegar no dia de discutir em grupo eu ficava travada, não conseguia falar em público, sempre fui bastante tímida. Gaguejava, suava, coração acelerava e minha participação era ruim. Eram 30 pontos distribuídos nisso e 70 da prova. Eu me saía bem nas provas, e era isso que me garantia.
Num dia de tutoria com essa bioquímica, eu não estava bem, não participei bem, tinha um colega formado em biologia, professor de um cursinho de química que naturalmente se destacava e dava verdadeiras aulas brilhantes no grupo. Não me sentia segura nem a vontade para falar. Enfim, no final da discussão deste dia, a tutora avaliou o grupo de forma em geral, obviamente elogiou muito o colega biólogo e então começou a falar sobre mim: "- Vc deveria repensar sobre o curso que escolheu... vc não percebe que é diferente dos colegas? O que vc está fazendo aqui? Melhor nem contínuar."
O que aquela mulher estava falando? É claro que me sinto diferente, não precisa ela ficar anunciando!!
Peguei minha coisas, e ainda no campus da faculdade quando eu estava indo embora senti as lágrimas descerem pelo rosto. Será que eu tinha sonhado alto demais? Será que eu estava querendo demais? Dar um passo maior que a perna? Ela tinha razão.. eu era diferente... era estranha.. doente.. o que eu estava fazendo alí?
Uma colega encontrou comigo e me vendo naquele estado saiu revoltada com o que eu falei, procurou os outros colegas que presenciaram aquela cena como se não acreditasse e precisasse confirmar. Todos confirmaram e estavam bastante chateados com a situação que passei. Foi legal perceber que mesmo em tão pouco tempo, algumas pessoas já gostavam de mim.
Quando minha mãe soube, foi até a faculdade se encontrou com os colegas e juntos na coordenação do curso exigiram que tomassem alguma providência. Foi quando descobriram que ela já havia perdido o emprego em outras faculdades por maltrato a alunos.
A coordenação então pediu que ela viesse até minha casa me pedir desculpas. Minha mãe contou sobre o tratamento que eu estava fazendo e ela disse que se soubesse que eu tinha depressão não teria me tratado daquele jeito. Eu não queria ser tratada de forma diferente, não queria tratamento especial de ninguém. Eu já me sentia diferente demais diante das outras pessoas e eu só queria ser uma pessoa ''normal''.
O coordenador exigiu que ela se desculpasse em público também, diante dos colegas que estavam presentes naquele dia.
Tive notícias de que ela repetiu o mesmo ato com um aluno numa outra turma e a mãe dele fez uma denúncia, então a faculdade decidiu demití-la.
Eu estava cansando da vida de novo...........
Eu estava com dificuldades em me adaptar a este método, estudava muito, mas ao chegar no dia de discutir em grupo eu ficava travada, não conseguia falar em público, sempre fui bastante tímida. Gaguejava, suava, coração acelerava e minha participação era ruim. Eram 30 pontos distribuídos nisso e 70 da prova. Eu me saía bem nas provas, e era isso que me garantia.
Num dia de tutoria com essa bioquímica, eu não estava bem, não participei bem, tinha um colega formado em biologia, professor de um cursinho de química que naturalmente se destacava e dava verdadeiras aulas brilhantes no grupo. Não me sentia segura nem a vontade para falar. Enfim, no final da discussão deste dia, a tutora avaliou o grupo de forma em geral, obviamente elogiou muito o colega biólogo e então começou a falar sobre mim: "- Vc deveria repensar sobre o curso que escolheu... vc não percebe que é diferente dos colegas? O que vc está fazendo aqui? Melhor nem contínuar."
O que aquela mulher estava falando? É claro que me sinto diferente, não precisa ela ficar anunciando!!
Peguei minha coisas, e ainda no campus da faculdade quando eu estava indo embora senti as lágrimas descerem pelo rosto. Será que eu tinha sonhado alto demais? Será que eu estava querendo demais? Dar um passo maior que a perna? Ela tinha razão.. eu era diferente... era estranha.. doente.. o que eu estava fazendo alí?
Uma colega encontrou comigo e me vendo naquele estado saiu revoltada com o que eu falei, procurou os outros colegas que presenciaram aquela cena como se não acreditasse e precisasse confirmar. Todos confirmaram e estavam bastante chateados com a situação que passei. Foi legal perceber que mesmo em tão pouco tempo, algumas pessoas já gostavam de mim.
Quando minha mãe soube, foi até a faculdade se encontrou com os colegas e juntos na coordenação do curso exigiram que tomassem alguma providência. Foi quando descobriram que ela já havia perdido o emprego em outras faculdades por maltrato a alunos.
A coordenação então pediu que ela viesse até minha casa me pedir desculpas. Minha mãe contou sobre o tratamento que eu estava fazendo e ela disse que se soubesse que eu tinha depressão não teria me tratado daquele jeito. Eu não queria ser tratada de forma diferente, não queria tratamento especial de ninguém. Eu já me sentia diferente demais diante das outras pessoas e eu só queria ser uma pessoa ''normal''.
O coordenador exigiu que ela se desculpasse em público também, diante dos colegas que estavam presentes naquele dia.
Tive notícias de que ela repetiu o mesmo ato com um aluno numa outra turma e a mãe dele fez uma denúncia, então a faculdade decidiu demití-la.
Eu estava cansando da vida de novo...........
quarta-feira, 27 de junho de 2012
O vestibular
Eu estava verdadeiramente empolgada com os estudos e então meus pais resolveram me apoiar.
Meu pai disse que ia manter minha matrícula trancada na arquitetura durante um ano, e este seria o prazo que ele daria pra eu passar em medicina, caso contrário eu voltaria mesmo que a força pra arquitetura.
Aceitei a proposta... adorava desafios.
Estudei muito, me matriculei num cursinho, tinha aulas durante o dia, e a noite eu estudava sozinha até as 3h da manhã. Era uma nova rotina pra mim que sempre tive o hábito de dormir cedo, meu rendimento a noite era péssimo. Mas desafiava o sono... tomava banhos no meio da noite, café. Eu não podia perder tempo!!
Quando o edital da prova foi divulgado eu me desanimei bastante... a prova não era de matérias específicas apenas.. e além disso teriam questões abertas também.
Nunca tive grande afinidade com os números e não imaginava me deparar logo agora com eles.
Resolvi então contratar uma professora particular de física e matemática pra me ajudar. Eu estava realmente disposta a dar o meu melhor.
Nesta mesma época eu procurei também um endocrinologista que me passou uma dieta, eu estava começando a perder peso e isso me deixava feliz, aumentava também minha disposição.
Fiz a prova e consegui ser aprovada. Ali estava a confirmação pra mim e para todos que eu era capaz de tudo que eu quisesse. Meu pai se encheu de orgulho por ter um dos filhos seguindo sua carreira. Minha mãe ainda não acreditava, ligou para os amigos, fez um churrasco em comemoração.
Senti o quanto meus irmãos torciam por mim e queriam o meu bem.
O meu ano do curso de arquitetura não foi atoa, não foi jogado fora. Foi necessário para o meu amadurecimento, necessário pra que eu percebesse que não era aquilo mesmo que queria pra minha vida e que eu tinha que juntar coragem pra tentar o curso de medicina.
Além disso, serviu pro meu irmão mais novo, que se interessou vendo meus trabalhos e decidiu prestar o vestibular pra arquitetura. Era legal sentir essa admiração.
O curso de medicina na minha faculdade utilizava já esta nova metodologia de ensino, o PBL (Problem-based learning - Aprendizado baseado em problemas). Acredito ser um método bastante cruel. Imagine aprender medicina de forma auto-didata. Imagine vc acostumado sua vida inteira com aulas, com um professor explicando a matéria e de repente vc tem que abrir um daqueles livros gigantes e aprender medicina sozinho.
Foi desesperador a primeira vez que fiz isso, lembro como se fosse hoje eu com aquele livro enorme e minha cara apavorada tentando ler aquelas palavras difíceis dos termos médicos sem ter a mínima noção do que eram.
Estudávamos em casa determinado assunto e nos reuníamos em grupos de 6 a 7 colegas e um professor. Essas reuniões chamavam-se tutorias. Alí deveria acontecer um debate sobre a matéria estudada, levantando discussões que fossem tirar nossas dúvidas e sedimentar o conhecimento.
Muito bonito e interessante a teoria do PBL, não é mesmo?
Mas não era bem assim na prática...
Os dias de tutorias viraram um tormento. Era uma disputa enorme entre os alunos, um queria se sobressair mais do que o outro, afinal de contas estavamos sob constante observação e avaliação pelo tutor. E após o debate, tinha sempre uma avaliação. Um aluno tinha que avaliar o outro, falar como foi o desempenho dele, se ele estudou, se participou bem. Era um momento de críticas construtivas mas no lugar disso o que acontecia na verdade eram críticas pessoais, ofensas.
Agora eu teria que lidar com uma coisa a mais: a timidez, o medo de falar e as críticas.
Meu pai disse que ia manter minha matrícula trancada na arquitetura durante um ano, e este seria o prazo que ele daria pra eu passar em medicina, caso contrário eu voltaria mesmo que a força pra arquitetura.
Aceitei a proposta... adorava desafios.
Estudei muito, me matriculei num cursinho, tinha aulas durante o dia, e a noite eu estudava sozinha até as 3h da manhã. Era uma nova rotina pra mim que sempre tive o hábito de dormir cedo, meu rendimento a noite era péssimo. Mas desafiava o sono... tomava banhos no meio da noite, café. Eu não podia perder tempo!!
Quando o edital da prova foi divulgado eu me desanimei bastante... a prova não era de matérias específicas apenas.. e além disso teriam questões abertas também.
Nunca tive grande afinidade com os números e não imaginava me deparar logo agora com eles.
Resolvi então contratar uma professora particular de física e matemática pra me ajudar. Eu estava realmente disposta a dar o meu melhor.
Nesta mesma época eu procurei também um endocrinologista que me passou uma dieta, eu estava começando a perder peso e isso me deixava feliz, aumentava também minha disposição.
Fiz a prova e consegui ser aprovada. Ali estava a confirmação pra mim e para todos que eu era capaz de tudo que eu quisesse. Meu pai se encheu de orgulho por ter um dos filhos seguindo sua carreira. Minha mãe ainda não acreditava, ligou para os amigos, fez um churrasco em comemoração.
Senti o quanto meus irmãos torciam por mim e queriam o meu bem.
O meu ano do curso de arquitetura não foi atoa, não foi jogado fora. Foi necessário para o meu amadurecimento, necessário pra que eu percebesse que não era aquilo mesmo que queria pra minha vida e que eu tinha que juntar coragem pra tentar o curso de medicina.
Além disso, serviu pro meu irmão mais novo, que se interessou vendo meus trabalhos e decidiu prestar o vestibular pra arquitetura. Era legal sentir essa admiração.
O curso de medicina na minha faculdade utilizava já esta nova metodologia de ensino, o PBL (Problem-based learning - Aprendizado baseado em problemas). Acredito ser um método bastante cruel. Imagine aprender medicina de forma auto-didata. Imagine vc acostumado sua vida inteira com aulas, com um professor explicando a matéria e de repente vc tem que abrir um daqueles livros gigantes e aprender medicina sozinho.
Foi desesperador a primeira vez que fiz isso, lembro como se fosse hoje eu com aquele livro enorme e minha cara apavorada tentando ler aquelas palavras difíceis dos termos médicos sem ter a mínima noção do que eram.
Estudávamos em casa determinado assunto e nos reuníamos em grupos de 6 a 7 colegas e um professor. Essas reuniões chamavam-se tutorias. Alí deveria acontecer um debate sobre a matéria estudada, levantando discussões que fossem tirar nossas dúvidas e sedimentar o conhecimento.
Muito bonito e interessante a teoria do PBL, não é mesmo?
Mas não era bem assim na prática...
Os dias de tutorias viraram um tormento. Era uma disputa enorme entre os alunos, um queria se sobressair mais do que o outro, afinal de contas estavamos sob constante observação e avaliação pelo tutor. E após o debate, tinha sempre uma avaliação. Um aluno tinha que avaliar o outro, falar como foi o desempenho dele, se ele estudou, se participou bem. Era um momento de críticas construtivas mas no lugar disso o que acontecia na verdade eram críticas pessoais, ofensas.
Agora eu teria que lidar com uma coisa a mais: a timidez, o medo de falar e as críticas.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Triste mesmo é não sentir nada...
Nunca imaginei me sentir assim... tão sem vida, tão sem controle, tão sem o que fazer!
Perdi meus amigos, perdi a faculdade, perdi minha fé em Deus, estava perdendo minha família também, aos poucos eu sentia que até mesmo eles estavam deixando de acreditar.
Ganhei solidão, ganhei culpa, ganhei peso... desde que comecei com as medicações engordei 14kg.
O que era mais estranho era que mesmo diante de tudo isso, não me importava. Devo dizer que isso era a pior parte de tudo. Seria também um efeito colateral daqueles remédios? Acho que até preferia a tristeza, pq vou confessar que triste mesmo é não sentir nada!! Não se sentir viva mas sim um robô em modo automático.
Aquela psiquiatra abençoada entendeu. Parecia ser a única criatura que ainda acreditava que poderia ser diferente!
Resolveu diminuir a dose do antipsicótico, de forma lenta e gradual.. Eu adorava a forma que ela terminava as sessões de psicanálise dizendo que se ela não acreditasse no trabalho dela, ela não estaria alí.
Os dias foram se passando, as semanas, os meses e eu parecia estar mais adaptada aos efeitos de sonolência e com a dose menor eu estava menos robótica, começava a ter sentimentos, emoções e aquilo me fazia me sentir mais humana. Me lembrava de relance da jovem tão querida e requisitada que eu era, determinada, cheia de sentimentos e idealizações. E essas lembranças me faziam querer mudar!!!
Resolvi utilizar todos os recurssos a meu favor, fazia terapia agora 2 a 3 vezes por semana e me desafiei a falar mais, falar tudo, despejar tudo alí! E eu agora entendia o porque da tão famosa frase "falar é terapêutico, as palavras curam".
Antes os dias de terapia eram um tormento para mim, me sentia observada, analisada, e os 40 minutos pareciam 40 horas intermináveis. Agora eu me sentia a vontade, as vezes chegava a falar até por uma hora. E de tanto falar eu fui permitindo aquela senhora me conhecer melhor, e eu também me re-conhecer novamente junto a ela. Entender minhas atitudes, minhas reações.
Os dias de ir naquele consultório foram se tornando empolgantes, eu ficava feliz desde a véspera... Gostava de chegar uns 20 minutos antes do meu horário só pra sentar perto da simpática secretária que agora já me recebia com um abraço cativante. Me sentia acolhida e até mesmo querida alí, mesmo com todo o distanciamento ético-profissional da médica.
Eu senti que PRECISAVA aproveitar aquele momento e mudar de vez minha vida, meu destino ou eu não suportaria mais.
Foi quando comecei a trabalhar a idéia de tentar outro vestibular... desta vez para o curso de medicina.
Me sentiria bem e extremamente feliz cuidando das pessoas, amava a idéia de poder salvar vidas, curar doenças.
Estava empolgada, mas eu me lembrava também da vida do meu pai, médico. Ou melhor, da falta de vida que ele tinha. Estava sempre no hospital ou consultório, trabalhava muito. Talvez por ser a única filha mulher eu era a mais próxima e ligada a ele. Foi um pai ausente. Não participava dos trabalhos e apresentações da escola, minha mãe sempre tentava explicar que ele trabalhava pra cuidar da gente. Era raro ele estar presente também com a gente em aniversários, natais, reveillons. E quase não tinha férias, mesmo que a gente viajasse, ele nunca ficava mais de 5 ou 6 dias com a gente. Estudava muito! Todos os dias! Acordava sempre as 5h da manhã e se sentava no sofá com aqueles livros enormes... algumas vezes eu levantava também, me sentava ao lado dele no sofá com meus lápis de cor.. adorava desenhar pra ele, muitas vezes adormecia alí dividindo o seu colo com aqueles livros.
Será que eu queria essa vida pra mim? Será que esse também seria o meu futuro? Será que eu daria conta? Todos esses questionamentos me causavam medo de falar com minha família... e se eu fracassasse mais uma vez?!
O tempo estava se passando, e a psiquiatra estava convencida de que eu estava pronta pra tentar sim, chamou minha mãe em seu consultório e me ajudou a contar e convencê-la de que eu deveria ter esta chance.
Eu teria menos de 6 meses pra estudar até o vestibular!!! Isso me preocupava e eu percebia que causava também grande tensão em todos a minha volta. As chances de eu não conseguir passar eram enormes com tão pouco tempo de estudo e diante todos aqueles problemas. Se eu fosse reprovada poderia ser um forte fator a me deixar pior e perder aquela pequena melhora que eu conquistei com tanto esforço.
Perdi meus amigos, perdi a faculdade, perdi minha fé em Deus, estava perdendo minha família também, aos poucos eu sentia que até mesmo eles estavam deixando de acreditar.
Ganhei solidão, ganhei culpa, ganhei peso... desde que comecei com as medicações engordei 14kg.
O que era mais estranho era que mesmo diante de tudo isso, não me importava. Devo dizer que isso era a pior parte de tudo. Seria também um efeito colateral daqueles remédios? Acho que até preferia a tristeza, pq vou confessar que triste mesmo é não sentir nada!! Não se sentir viva mas sim um robô em modo automático.
Aquela psiquiatra abençoada entendeu. Parecia ser a única criatura que ainda acreditava que poderia ser diferente!
Resolveu diminuir a dose do antipsicótico, de forma lenta e gradual.. Eu adorava a forma que ela terminava as sessões de psicanálise dizendo que se ela não acreditasse no trabalho dela, ela não estaria alí.
Os dias foram se passando, as semanas, os meses e eu parecia estar mais adaptada aos efeitos de sonolência e com a dose menor eu estava menos robótica, começava a ter sentimentos, emoções e aquilo me fazia me sentir mais humana. Me lembrava de relance da jovem tão querida e requisitada que eu era, determinada, cheia de sentimentos e idealizações. E essas lembranças me faziam querer mudar!!!
Resolvi utilizar todos os recurssos a meu favor, fazia terapia agora 2 a 3 vezes por semana e me desafiei a falar mais, falar tudo, despejar tudo alí! E eu agora entendia o porque da tão famosa frase "falar é terapêutico, as palavras curam".
Antes os dias de terapia eram um tormento para mim, me sentia observada, analisada, e os 40 minutos pareciam 40 horas intermináveis. Agora eu me sentia a vontade, as vezes chegava a falar até por uma hora. E de tanto falar eu fui permitindo aquela senhora me conhecer melhor, e eu também me re-conhecer novamente junto a ela. Entender minhas atitudes, minhas reações.
Os dias de ir naquele consultório foram se tornando empolgantes, eu ficava feliz desde a véspera... Gostava de chegar uns 20 minutos antes do meu horário só pra sentar perto da simpática secretária que agora já me recebia com um abraço cativante. Me sentia acolhida e até mesmo querida alí, mesmo com todo o distanciamento ético-profissional da médica.
Eu senti que PRECISAVA aproveitar aquele momento e mudar de vez minha vida, meu destino ou eu não suportaria mais.
Foi quando comecei a trabalhar a idéia de tentar outro vestibular... desta vez para o curso de medicina.
Me sentiria bem e extremamente feliz cuidando das pessoas, amava a idéia de poder salvar vidas, curar doenças.
Estava empolgada, mas eu me lembrava também da vida do meu pai, médico. Ou melhor, da falta de vida que ele tinha. Estava sempre no hospital ou consultório, trabalhava muito. Talvez por ser a única filha mulher eu era a mais próxima e ligada a ele. Foi um pai ausente. Não participava dos trabalhos e apresentações da escola, minha mãe sempre tentava explicar que ele trabalhava pra cuidar da gente. Era raro ele estar presente também com a gente em aniversários, natais, reveillons. E quase não tinha férias, mesmo que a gente viajasse, ele nunca ficava mais de 5 ou 6 dias com a gente. Estudava muito! Todos os dias! Acordava sempre as 5h da manhã e se sentava no sofá com aqueles livros enormes... algumas vezes eu levantava também, me sentava ao lado dele no sofá com meus lápis de cor.. adorava desenhar pra ele, muitas vezes adormecia alí dividindo o seu colo com aqueles livros.
Será que eu queria essa vida pra mim? Será que esse também seria o meu futuro? Será que eu daria conta? Todos esses questionamentos me causavam medo de falar com minha família... e se eu fracassasse mais uma vez?!
O tempo estava se passando, e a psiquiatra estava convencida de que eu estava pronta pra tentar sim, chamou minha mãe em seu consultório e me ajudou a contar e convencê-la de que eu deveria ter esta chance.
Eu teria menos de 6 meses pra estudar até o vestibular!!! Isso me preocupava e eu percebia que causava também grande tensão em todos a minha volta. As chances de eu não conseguir passar eram enormes com tão pouco tempo de estudo e diante todos aqueles problemas. Se eu fosse reprovada poderia ser um forte fator a me deixar pior e perder aquela pequena melhora que eu conquistei com tanto esforço.
domingo, 24 de junho de 2012
Um ano...
As coisas estavam indo bem demais pra ser verdade...
O tempo foi se passando e com ele a empolgação também. Todas aquelas novidades do curso foram se tornando rotina.
Me sentia extremamente culpada... eu tinha tudo na vida, família, boas condições financeiras, estava cursando uma faculdade, tudo o que toda jovem da minha idade queria... Mas mesmo assim me sentia triste, mesmo assim as coisas não pareciam ter sentido, sentia um vazio imenso dentro de mim. Não poderia me sentir triste mas sentia, e todos sofriam sem entender, por não haver motivos.
Minha cabeça começou a se desorganizar novamente, não fazia mais questão de interpretar papéis, já não me importava mais... sentia necessidade dos cortes novamente, da dor física junto do sangue aliviando um pouco a dor da alma.
O tempo foi se passando e com ele a empolgação também. Todas aquelas novidades do curso foram se tornando rotina.
Me sentia extremamente culpada... eu tinha tudo na vida, família, boas condições financeiras, estava cursando uma faculdade, tudo o que toda jovem da minha idade queria... Mas mesmo assim me sentia triste, mesmo assim as coisas não pareciam ter sentido, sentia um vazio imenso dentro de mim. Não poderia me sentir triste mas sentia, e todos sofriam sem entender, por não haver motivos.
Minha cabeça começou a se desorganizar novamente, não fazia mais questão de interpretar papéis, já não me importava mais... sentia necessidade dos cortes novamente, da dor física junto do sangue aliviando um pouco a dor da alma.
Meus instrumentos de aula eram bastantes convidativos, possuia um estilete enorme para apontar os lápis. Fui fraca e comecei com leves arranhões, nada demais mas a água quente quando batia ali durante o banho ardia me fazendo lembrar que apesar de pequenos estavam ali. Comecei a fazer os cortes sempre no mesmo lugar, por cima, para evitar mais cicatrizes e tentar manter aquilo escondido. Mas isso dificultava também a cicatrização e comecei a ter processos inflamatórios em alguns locais.
Pedi ajuda a minha psiquiatra, ela com certeza me ajudaria! Tinha essa empatia de confiança por aquela senhora.
Ela aumentou minhas medicações... com 900mg de lítio + 30mg de olanzapina eu estava extremamente sonolenta, dormia a maior parte do tempo... seria essa a estratégia? dormir pra não me cortar? pra não dar tempo de sentir tristeza? de pensar? de nada?
Ficou muito difícil conseguir ir pras aulas a noite, me concentrar, me sentia sempre sonolenta, cansada, corpo pesado, lenta... Começou também um tremor muito forte nas mãos, era impossível conseguir desenhar assim! Fui começando a admitir que não dava mais pra continar, comecei a atrasar entregas de trabalho, deixar de fazer as resenhas, de estudar, e isso tudo doía imensamente afinal tinha essa mania de perfeccionismo, de querer sempre fazer as coisas bem feitas, de ser dedica, entre os melhores alunos e pra mim não fazia sentido continuar alí fazendo as coisas pela metade, era melhor parar. Isso apavorava minha mãe... ela dizia que se eu parasse e ficasse ociosa eu ia piorar ainda mais e adorava repetir pra mim o velho ditado "mente ociosa é oficina do diabo" e por isso mesmo diante da situação, gostava de me ver ali arrastando o curso.
Um dia estavamos na aula de desenho e eu fui pegar um dos lápis para apontar... tirei o estilete da mochila, deslizei o cabo expondo a lâmina e descamava ali lentamente a madeira do lápis, aquele movimento me hipnotizava. Depois da ponta feita, não guardei o estilete, deixei ali em cima da prancheta ao lado do bloco de folhas... a cada 3 ou 4 riscos no papel, meu olhar se desviava para aquele objeto. Achei melhor então tirar aquilo do alcance dos meus olhos e guardei novamente no fundo da mochila.
Começou o horário de desenho técnico e eu não conseguia segurar firme a régua e a lapiseira nas mãos trêmulas. Traçar uma reta firme era um tormento. Era um tempo enorme pra conseguir transformar as escalas dos projetos mesmo com o escalímetro ali. Os tracinhos dos milimetros nas réguas pareciam estar borrados, desfocados... medir 2cm demorava 15min. Fui ficando impaciente, nervosa, aflita, embolei 4 folhas de projeto esse dia na aula e joguei fora pra recomeçar. Na quinta vez a professora de ar maternal se sentou ao meu lado, pacientemente perguntando o que estava acontecendo comigo naquela semana. Eu não conseguia falar, não conseguia levantar, não conseguia ter reação nenhuma.
Começou o último horário daquele dia... história da arte... a sala escura, com a professora apresentando várias fotos no datashow.
Me lembro de estar bastante estranha, saí da sala pra dar uma volta, talvez faria bem.... não sei o que houve este dia, se entrei em transe, se foi ato automático, só sei que eu não tinha controle sobre mim e quando voltei a ficar consciente, eu levei um baita susto! Estava no banheiro da faculdade, com o estilete sujo na mão... sangue pelo chão e escorrendo nos meus ombros e braços. O que eu havia feito?? Assustada e sem reação, fui tentar limpar e bem nesta hora uma das minhas colegas entrou no banheiro, até tentou disfarçar seu desespero, mas estava visivelmente assustada. Me levou até uma das repartições dos vazos sanitários e foi calmamente me limpando com papel higiênico tentando conversar comigo pra entender aquilo. Uma funcionária da faculdade telefonou na minha casa, pedindo pra me buscarem.
Levei maior bronca e ninguém acreditava que eu estava inconsciente naquele ato.
Já estava fazendo um ano de curso e eu anunciei que eu tinha dado o meu melhor, havia tentado de tudo, mas não dava mais pra continuar. Minha mãe então disse que só permitiria eu parar se eu terminasse o semestre, assim seria possível trancar minha matrícula. Então assim eu fiz.
sábado, 23 de junho de 2012
Arquitetura..
Finalmente janeiro chegou, estava ansiosa com o primeiro dia na faculdade.. pra falar a verdade estava com medo. Pensei comigo mesma e vi que não havia motivo nenhum para medo. Diante das coisas que passei, nada poderia ser pior.
Poderia ser melhor, até. Já que era um novo ambiente, novas pessoas, não me conheciam, então poderia ser uma ótima chance para encarar um novo papel alí.
E foi assim que eu fiz... O curso era noturno, me preparei durante o dia todo... Cheguei na sala de aula sorridente e simpática. Se os atores da televisão conseguem fazer vários papéis, das mais variadas personalidades possíveis, pq eu não poderia também?
Eram poucos alunos, uns 3 ou 4 jovens apenas e os demais já mais maduros. Uma delas, uma senhora de cabelo mais curto me passava uma boa energia.
Uma das jovens era muito séria e tinha um semblante superior, não gostava daquele ar soberbo, muito menos da mania que ela tinha de coçar o cabelo.
Uma outra moça era extremamente falante, e se percebia nela grande alegria em estar ali.
Havia também 2 jovens rapazes... um bastante vaidoso, roupas da moda, cabelo mais cheio, porém bem cortado, "deve ser o galã da turma" -logo pensei-.
O outro parecia bastante tímido, tinha um semblante estranho, olhar distante e fixo, usava óculos e uma camiseta largada, "seria o nerd" -pensei-.
Os demais não chamavam tanta atenção e nem tive muito tempo de observar, logo entrou o professor. Se apresentou como professor de desenho artístico, era um sujeito baixinho, cabelos grisalhos, olhos pequenos. Me empolguei muito, desde criança adorava desenhar mas nunca havia feito nenhum curso, nenhuma aula e essa oportunidade me fascinava.
Ele entregou uma folha em branco juntamente com um lápis para cada um de nós e pediu que desenhassemos uma bicicleta.
Seria ali um teste de habilidades? Se era ou não, todos deram risada e começamos a desenhar. O engraçado era um olhando pro desenho do outro, ali eu pude relaxar pois realmente o dom de desenho deles era trágico.. Menos a menina séria. Estava sentada longe e eu não podia ver seu desenho, mas parecia ali uma grande desenhista, cabeça baixa, olhar compenetrado e severo.
O professor recolheu nossos desenhos rindo junto com a gente daquelas bicicletas que mais pareciam ter sido feitas por pré-escolares.
Logo em seguida entrou o professor de topografia. Alto, gordinho, bastante cativante... ele era também o coordenador do curso, falou que teriamos que lidar com a matemática, o que me desanimou um pouco mas eu superaria.
A professora de história da arte era malucona, uma mulher bastante moderna de cabelos vermelho como fogo, um piercing no nariz, inúmeras tatuagens estranhas pelo corpo e bastante visíveis. Particulamente uma delas me incomodava bastante, a do braço esquerdo, parecia uma fatia de salame. Como pode alguem tatuar isso? Ela entrou na sala, roupa curta, decotada, toda preta, com uma garrafa de café na mão, sentou-se em cima da mesa, enquanto falava tomava seus goles de café e fumava seu cigarro. Embora provocasse grande polêmica, sua inteligencia,percepção e interpretação da arte eram admiráveis.
A professora de desenho técnico lembrava uma mãe pela extrema atenção, carinho e preocupação conosco.
Eu não poderia estar mais feliz e empolgada com tudo isso!
Já nas primeiras semanas me destaquei não só por minha dedicação, me cobrar e querer fazer tudo da melhor forma possível sempre fez parte da minha personalidade, mas alí eu tinha algo ainda mais empolgante: o desenho!
Como foi bom desenvolver um pouco daquele talento, amava as aulas de desenho artístico, desenhar as formas, as sombras, as luzes, aprender a usar os tons de lápis preto e de cor. O professor se empolgava também, passava horas na minha mesa rabiscando e me ensinando. Como eu admirava aquela criatura... um pouco desligado, voado, coisa de artista. Mas gostava daquele jeito, me deixava a vontade. Em pouco tempo me tornei monitora e auxiliava os colegas com maior dificuldade no desenho.
Após um mês de aula, um novo aluno chegou na nossa turma. Demorou para começar pois estava no exterior fazendo intercâmbio. Acho que ele passou tanto tempo fora do Brasil que chegou com cara de gringo mesmo, branquelo, cabelo meio cor de ferrugem e um sotaque estranho. Me prontifiquei a ajudá-lo, aos poucos se tornou um grande amigo.
Com o tempo, a nossa turma se deu muito bem. E até mesmo a garota séria de cara fechada passou a se enturmar e descobri que era uma boa pessoa.
Tudo estava maravilhosamente bem, eu me esforçava o máximo que podia pra me socializar e parecer o menos robótica possível.
Coloquei uma meta: cumprimentar todos os dias cada colega com um abraço e dizer boa noite a cada pessoa que cruzasse por mim nos corredores.
Parece bobo, como algo tão simples que era uma coisa automática em minha vida antes se tornou tão difícil pra mim? Alcançar essa meta faria toda diferença.
As coisas pareciam realmente querer tomar um rumo diferente agora....
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Final de ano
Fui aprovada no vestibular de arquitetura e esta boa notícia encheu meu coração de ânimo. Era dezembro, nesta época eu e meus irmãos costumávamos viajar para passar o natal e reveillon com os parentes que moram fora.
Família grande reunida, todo ano sempre aquela festa enorme e a empolgação dos primos e tios juntos.
Esse ano foi diferente para mim. Não conseguia me socializar, queria meu cantinho, estar sozinha. É claro que todos acharam estranho e eu me sentia mal com isso. Mas por mais que eu me esforçasse, era como se eu estivesse vazia por dentro, fazendo todas as coisas como andar, comer, dormir em automatismo... sim, parecia um robô.
Um dos meus tios, conceituado neurologista e neurocirurgião da região (e pelo visto metido a psiquiatra também) veio explicar que essa ''robotização'' seria efeito colateral do antipsicótico mas que logo meu organismo se adaptaria.
Ótimo! Agora além de eu ter virado assunto da família devido a minha drástica mudança física e psíquica agora sou um robô. Isso tudo me fazia sentir vergonha de mim mesma e o resultado foi um isolamento social cada vez mais forte.
Minha mãe histérica como sempre, tirou minha carta de despedida da bolsa e mostrou pra uma das minhas tias. Ela mais histérica ainda, colocou uma das mãos sobre o meu ombro e disse que isso era uma doença, que era só eu tomar os remédios direitinho e eu ficaria bem. Bom, ela é médica e ouvir isso me motivava mais ainda a ingerir as medicações certinhas mesmo apesar dos efeitos colaterais.
Ela repetia: "-Tem que tratar, tem que tratar, tem que tratar!" Ela mal percebeu mas neste momento ela já estava me empurrando com força, foi quando disse que perdeu a sua filha assim.
Neste momento um silêncio enorme invadiu o quarto... "O que ela estava falando?" -eu pensei- Eu sabia da morte da minha prima há uns 3 anos, mas foi em um acidente de carro.
Minha tia estava ali, paralisada, segurando aquele pedaço de papel na mão.. as lágrimas embaçavam seus óculos quando de repente alterou seu tom de voz e gritava: "-7 meses após a morte da minha filha, eu encontrei uma carta exatamente igual a essa dentro de um dos seus livros. Não foi um acidente, ela se matou." Eu podia sentir o tamanho da revolta naquele timbre de voz... ela balançava o papel e gritava "-uma carta de despedida exatamente igual a essa. Que se eu tivesse encontrado antes, não teria acontecido nada disso". Eu notava um grande sentimento de culpa naquelas palavras, como pode uma médica perder sua única filha por não ter percebido nela uma doença? Deve ser realmente difícil...
E eu, eu me sentia cada vez mais assustada, porém com mais determinação de me curar.
Família grande reunida, todo ano sempre aquela festa enorme e a empolgação dos primos e tios juntos.
Esse ano foi diferente para mim. Não conseguia me socializar, queria meu cantinho, estar sozinha. É claro que todos acharam estranho e eu me sentia mal com isso. Mas por mais que eu me esforçasse, era como se eu estivesse vazia por dentro, fazendo todas as coisas como andar, comer, dormir em automatismo... sim, parecia um robô.
Um dos meus tios, conceituado neurologista e neurocirurgião da região (e pelo visto metido a psiquiatra também) veio explicar que essa ''robotização'' seria efeito colateral do antipsicótico mas que logo meu organismo se adaptaria.
Ótimo! Agora além de eu ter virado assunto da família devido a minha drástica mudança física e psíquica agora sou um robô. Isso tudo me fazia sentir vergonha de mim mesma e o resultado foi um isolamento social cada vez mais forte.
Minha mãe histérica como sempre, tirou minha carta de despedida da bolsa e mostrou pra uma das minhas tias. Ela mais histérica ainda, colocou uma das mãos sobre o meu ombro e disse que isso era uma doença, que era só eu tomar os remédios direitinho e eu ficaria bem. Bom, ela é médica e ouvir isso me motivava mais ainda a ingerir as medicações certinhas mesmo apesar dos efeitos colaterais.
Ela repetia: "-Tem que tratar, tem que tratar, tem que tratar!" Ela mal percebeu mas neste momento ela já estava me empurrando com força, foi quando disse que perdeu a sua filha assim.
Neste momento um silêncio enorme invadiu o quarto... "O que ela estava falando?" -eu pensei- Eu sabia da morte da minha prima há uns 3 anos, mas foi em um acidente de carro.
Minha tia estava ali, paralisada, segurando aquele pedaço de papel na mão.. as lágrimas embaçavam seus óculos quando de repente alterou seu tom de voz e gritava: "-7 meses após a morte da minha filha, eu encontrei uma carta exatamente igual a essa dentro de um dos seus livros. Não foi um acidente, ela se matou." Eu podia sentir o tamanho da revolta naquele timbre de voz... ela balançava o papel e gritava "-uma carta de despedida exatamente igual a essa. Que se eu tivesse encontrado antes, não teria acontecido nada disso". Eu notava um grande sentimento de culpa naquelas palavras, como pode uma médica perder sua única filha por não ter percebido nela uma doença? Deve ser realmente difícil...
E eu, eu me sentia cada vez mais assustada, porém com mais determinação de me curar.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Para a doença, o remédio...
A data do vestibular estava se aproximando e eu já não conseguia mais me reconhecer, não pensava mais em me matar, afinal depois do ocorrido minha família não era mais a mesma, minha mãe havia perdido o brilho do olhar, eu me sentia culpada. Sem falar que eu era vigiada o tempo todo e minhas coisas sempre revistadas. Mas aquela garota cheia de energia e vontades não existia mais, e sim uma jovem passiva, sem força e sem vontade, fazer até mesmo as atividades mais simples como levantar da cama, lavar o cabelo era difícil.. muitas vezes fui taxada de preguiçosa, desleixada.
E na verdade eu não me importava mesmo, fui deixando de cuidar, olhava as fotos e em nenhuma delas havia um sorriso, no lugar do cabelo loiro existia agora o ruivo.. vermelho, sangue, cortes? Sim, talvez fosse essa a justificativa pra mantê-los tingidos assim. Não podia mais me cortar, primeiro pq causava sofrimento a minha família e segundo pq eu era vigiada e tinha constantemente minhas coisas reviradas. Então busquei outras alternativas de multilação e dor, como vários brincos nas orelhas, piercing. O que me fazia estar cada vez mais distante de mim mesma.
Agora eu era capaz de admitir estar doente. E toda pessoa doente precisa de remédios. Foi quando meu pai resolveu tentar me medicar e eu aceitei. Tentamos vários tipos de antidepressivo, porém sem sucesso.
Será que dessa vez seria mesmo diferente? Será que agora daria mesmo certo? São perguntas que mesmo transmitindo incerteza já possuiam um tom de esperança....
E na verdade eu não me importava mesmo, fui deixando de cuidar, olhava as fotos e em nenhuma delas havia um sorriso, no lugar do cabelo loiro existia agora o ruivo.. vermelho, sangue, cortes? Sim, talvez fosse essa a justificativa pra mantê-los tingidos assim. Não podia mais me cortar, primeiro pq causava sofrimento a minha família e segundo pq eu era vigiada e tinha constantemente minhas coisas reviradas. Então busquei outras alternativas de multilação e dor, como vários brincos nas orelhas, piercing. O que me fazia estar cada vez mais distante de mim mesma.
Agora eu era capaz de admitir estar doente. E toda pessoa doente precisa de remédios. Foi quando meu pai resolveu tentar me medicar e eu aceitei. Tentamos vários tipos de antidepressivo, porém sem sucesso.
Com o tempo, fui perdendo completamente a vontade de sair e estar perto de pessoas. Medo, pânico, sensação de estar sempre acompanhada.
Foi quando eu decidi chamar meus pais e comunicar uma decisão: "-Eu quero procurar um novo psiquiatra."
Lembro da alegria e empolgação da minha mãe: "Dessa vez vai dar certo" ela dizia, "pois agora vc está procurando por vontade própria e é preciso querer pra dar certo."
Não tinhamos referencia de profissionais, o mais recomendado da cidade foi aquela tragédia! Então minha mãe abriu o catálogo telefônico na parte de médicos, bateu o olho em um dos nomes e disse firme: "-Vai ser essa!". Ligamos e marcamos a consulta.Lembro da alegria e empolgação da minha mãe: "Dessa vez vai dar certo" ela dizia, "pois agora vc está procurando por vontade própria e é preciso querer pra dar certo."
Cheguei tímida ao consultório, mas dessa vez tive uma boa sensação, um espaço bacana, claro, bem ventilado e pintado com cores alegres. Aquela parede laranja me divertia, tinha um formato ondulado e eu gostava das pastilhas de vidro que distorciam a cara da gente se olhasse de perto.
Fui recebida com um sorriso da simpática secretária que me convidou a sentar e ler uma revista enquanto a Dra. não me chamava. Embora eu não tivesse condiçoes nenhuma para ler notícias, aceitei como forma de agradecimento por tamanha atenção da moça. Em poucos minutos a porta se abriu, era uma mulher já mais madura, bem vestida. Me chamou pelo nome. Ao entrar no consultório senti minhas mãos gelarem, eu teria que contar tudo que havia acontecido e ficar relembrando aquelas coisas não era nada agradável. Mas tinha gostado da sala... grande, arejada, clara e acolhedora pela iluminação natural dos raios solares que entravam pela cortina aberta. Ela me direcionou para um sofá grande e se sentou na minha frente em sua poltrona.
Dessa vez não sei o que houve, como as palavras sairam da minha boca de forma tão fluente, mas consegui contar tudo que havia acontecido comigo até então.
Ela não se alterou muito... nada de se jogar pela sala numa cadeira de rodinhas, nada de sapatos bizarros balançando em minha direção. Nada de euforia ou dramas. Ao contrário de tudo isso, um olhar doce.
Me receitou Litio e Olanzapina. Me pareceu estranho, afinal eu já sabia um monte de nomes de antidepressivos e estes eu não conhecia. Fui logo me informar. Não eram antidepressivos e sim um estabilizador de humor e um antipsicótico.Será que dessa vez seria mesmo diferente? Será que agora daria mesmo certo? São perguntas que mesmo transmitindo incerteza já possuiam um tom de esperança....
quarta-feira, 20 de junho de 2012
O resultado...
Enfim, continuando a história anterior...
Retornei ao psiquiatra após uma semana usando a medicação. Estava me sentindo pior ainda, além de triste eu ficava agitada todas as noites após tomar o rivotril e não sabia dizer o pq, já que ele havia falado que era pra acalmar e dormir mais tranquila. Ao relatar isso, o médico disse que era normal pois era necessário um tempo para os remédios fazerem efeito que os primeiros 15 a 30 dias poderia me sentir pior mesmo, me notou bastante agitada e me deu metade de um comprimido de rivotril lá mesmo em seu consultório e orientou que eu tomasse dosagem dobrada a noite.
Voltei pra casa a pé esse dia e quase não chego... tonta pela medicação. Abri a porta, me joguei no sofá e o estranho é que não conseguia dormir e não me sentia nada calma, me revirava ali.. até o momento que caí no chão e daí eu não conseguia mais parar de rir.
Que sensação estranha, parecia estar drogada. Muito inquieta eu andava de um lado para o outro.
Fui até o banheiro, peguei uma gilette de barbear, desmontei toda aquela estrutura de plástico e com a lâmina em mãos, começei a me cortar, eu precisava fazer aquilo parar. Claro, escolhi um local escondido onde ninguém fosse perguntar sobre cicatriz e me achar louca, e ao ver o sangue escorrendo pelo corte na perna, toda aquela agitação e loucura se acalmavam.
No dia seguinte era a terapia com a psicóloga. Embora trabalhasse em conjunto com o psiquiatra, eram bem diferentes um do outro. Ela era bem careta e usava roupas bem mais formais, nada jovial e no lugar da cadeira esvoaçante de rodinhas, ela se sentava em uma poltrona fixa ao chão. Mas a mania de cruzar as pernas apontando o pé na minha direção era a mesma.. ela usava um sapato preto com bolinhas amarelas, bico fino.
Ela se sentou e tinha em mãos o meu caderno, com meus textos... disse que o psiquiatra havia repassado pra ela. Começou a ler um a um em voz alta e me encher de perguntas como se eu estivesse cometendo pecados. Não gostei, voltei pra casa desanimada.
Mais uma semana se passou e eu comecei a ter certeza de que estava a cada dia pior e não poderia mais ficar naquela situação. Eu não me reconhecia e admitia, estava viciada na auto-mutilação e era necessário cada vez mais cortes e mais profundos pra aliviar minha dor e minha agitação, até um momento que aquilo não era mais suficiente e comecei a pensar em suicídio. Quando me peguei pensando fixamente na minha morte, planejando etapa por etapa resolvi procurar novamente o médico e implorar ajuda, ele insistiu que era normal e aumentou mais ainda a dose do rivotril.
Que revolta eu senti! Cara, vc está falando que não está bem, está piorando com a medicação e o que a criatura faz? insiste e vai aumentando a dosagem! Meio contraditório né... mas ele é o médico, quem sou eu pra contestar algo, minha obrigaçao era apenas obedecer. Neste dia ele me emprestou um livro, cheguei em casa e comecei a ler... era um livro sobre suicídio e devo confessar aquilo só me fez afundar mais ainda, pensar mais ainda em morrer. Aquilo já não saía da minha cabeça e lendo aquilo então...
O final de semana chegou e eu e meu irmão iriamos para a cidade dos meus pais. Ao chegar lá chamei meu pai pra conversar, afinal ele é médico e saberia me orientar. Mas como sempre ele ficou naquela passividade sem muita opinião.
Escrevi uma carta despedindo da minha família, esperei todos deitarem tomei uma caixa inteira do rivotril, fui até a sala onde meus pais guardavam algumas bebidas, whisky, vokda, avistei um licor peguei a garrafa e tomei ali mesmo com a boca no gargalo. Voltei para o quarto de estudos que é mais no fundo e encontrei uma lâmina de bisturi junto dos materiais do meu pai. Foi o tempo de fazer um corte no pulso e dali não me lembro mais de muita coisa. Tenho alguns flashes as vezes eu deitada na cama no hospital, muita gente conversando, não me lembro bem. As vezes agradeço a Deus por essa minha memória fraca, encaro até como forma de defesa não ficar se lembrando das coisas ruins.
A minha próxima lembrança já é na casa junto com meu irmão, eu subindo as escadas meio tonta. Todos tristes e revoltados com o que eu fiz. Minha mãe resolveu se mudar, ficar comigo um tempo.
Ao voltar na psicóloga, levei uma bronca, ela toda alterada dizendo que eu deveria ter ligado pra ela, e daí eu me revoltei e perguntei ligar como já que era final de semana e o único telefone dela que eu tinha era o do consultório. Ela então se reuniu com o psiquiatra e juntos decidiram me internar. Chamaram minha mãe e falaram sobre uma clínica particular na capital. Minha mãe logo se revoltou e percebeu que talvez aqueles dois estivessem mesmo me enlouquecendo, eu aproveitei pra dizer que ia abandonar tudo, não queria mais saber daqueles dois.
Foi necessário passar por tudo isso para que meus pais concordassem comigo.
Primeira consulta...
Voltarei no tempo hoje para descrever minha primeira consulta com um psiquiatra, bastante traumática por sinal...
Aos 14 anos saí da minha cidade para morar numa cidade maior, ter melhores condições de estudo e chances no vestibular. Fui morar com meu irmão mais velho que já estudava lá... Senti bastante essa mudança, estar longe dos meus pais e do meu irmão caçula.
Aos poucos as pessoas foram me notando triste, desanimada... Aquela garota alegre que contagiava a turma foi aos poucos se apagando. Adorava participar das viagens do colégio, treinos esportivos, fazia parte do time de volei e handbol, viajava para campeonatos, gostava muito de participar dos simulados, testes de notas e rendimento, estava sempre entre os melhores alunos.
Eu não percebia, mas para quem convivia comigo era nítido minha mudança de comportamento. Começei a beber de forma exagerada, inventava trabalhos e grupos de estudo para ir pra botecos, meu rendimento no colégio começou a cair, no meio a isso tudo, minha família começou a se desmoronar, meus pais brigando sem parar.
Chegou então o ano do vestibular, eu já não tinha mais vontade nem perspectiva nenhuma. Muitas dúvidas surgiram quanto a escolha, sempre gostei muito da área biológica, sempre admirei meu pai (médico) e desde criança eu o acompanhava no hosptial. Mas não me sentia capaz para tentar um vestibular de medicina. Por outro lado, sempre gostei muito de desenhar, de artes. Desta vez minha mente estava com idéias horríveis e fui forçada por meus pais a visitar o psiquiatra.
Entrei no consultório pequeno, apertado, me sentei na sala de espera e me sentia sufocada naquele ambiente nada acolhedor e apertado. De repente a porta se abre e um jovem médico sorri e me chama. Entrei em sua sala, esta era um pouco maior, porém assustadora também. Fui convidada a sentar num sofá velho, até meio rasgado, enquanto ele se sentou numa cadeira grande confortável de rodinhas, cruzou as pernas em minha direção como se aquele sapato grande apontasse para mim, colocou as mãos sobre os joelhos, e disse: " - O que te aflinge?"
Permaneci em silêncio observando aquela silhueta... um rapaz estiloso, jovial, cabelo curto arrepiado com gel, e aquele olhar ao mesmo tempo profundo, tinha os óculos como escudo. Óculos de grau, com armação colorida (que médico moderno, eu pensei). Desviei meus olhos tentando entender um pouco aquele ambiente, meio escuro, meia luz... Não me incomodava, a escuridão até me aconchegava, a conhecia muito bem. Alguns livros no fundo da sala, uns quadros estranhos para decoração, um surrealismo meio fajuto,
e bem ao lado como se fosse uma divisória falsa da sala, havia uma maca. Pq um psiquiatra precisaria de uma maca? Por alguns minutos me fez lembrar instrumentos de tortura. Então ele me perguntou novamente: " - Jovem, o que te aflinge?"
Eu respondi de forma devagar, as palavras pareciam lentas. Disse que meus pais estavam me achando triste. Ele perguntou mais, quis saber detalhes. Mas o máximo que saia da minha boca era uma voz trêmula e monossilábica. Então eu disse que preferia escrever, tirei da minha bolsa um caderno de rascunho onde eu costumava redigir meus sentimentos. Ele de repente deu um impulso na cadeira com a ponta dos pés e veio parar do meu lado, pegou minhas anotações, começou a ler de forma rápida. Balançava aquele pé de sapato grande cada vez mais rápido em minha direção e com outro pontapé arrastou a cadeira pra perto da mesa. Disse que eu estava deprimida e teria que tomar uns remédios. Escreveu na receita, me entregou orientando a forma de tomar, segurou firme minhas mãos, disse pra eu contar com ele, que ele queria me ver em breve e me orientou a ser acmpanhada pela psicologa que trabalhava em parceria com ele.
Eu respondi de forma devagar, as palavras pareciam lentas. Disse que meus pais estavam me achando triste. Ele perguntou mais, quis saber detalhes. Mas o máximo que saia da minha boca era uma voz trêmula e monossilábica. Então eu disse que preferia escrever, tirei da minha bolsa um caderno de rascunho onde eu costumava redigir meus sentimentos. Ele de repente deu um impulso na cadeira com a ponta dos pés e veio parar do meu lado, pegou minhas anotações, começou a ler de forma rápida. Balançava aquele pé de sapato grande cada vez mais rápido em minha direção e com outro pontapé arrastou a cadeira pra perto da mesa. Disse que eu estava deprimida e teria que tomar uns remédios. Escreveu na receita, me entregou orientando a forma de tomar, segurou firme minhas mãos, disse pra eu contar com ele, que ele queria me ver em breve e me orientou a ser acmpanhada pela psicologa que trabalhava em parceria com ele.
Saí de lá achando tudo estranho e teatral... Pq aquele médico ficava se jogando de um lado para o outro na sala com sua cadeira de rodinhas?
Chegando em casa, minha mãe sempre muito preocupada e atenciosa, tratou logo de comprar as duas medicações e me fazer tomar certinho. O antidepressivo pela manhã e o remédio pra dormir a noite.
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